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quarta-feira, 25 de setembro de 2013



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SINOPSE

A abordagem dos sentimentos humanos através de contos, onde a realidade, a ficção e a fantasia se misturam para levar o leitor de uma forma mágica e romântica a uma profunda reflexão sobre nossas atitudes em todos os aspectos de nossas vidas. Seja para com nossos semelhantes, para com os animais ou para com a vida propriamente dita, a reflexão e a emoção estão presentes em cada historia criada pelo autor.

Em cada conto, muitas vezes o leitor para por um momento para refletir profundamente porque se identifica com o texto que esta lendo. O autor consegue esta proeza porque de alguma forma, quando se fala de sentimentos humanos, somos todos iguais.

Seus contos são escritos, tendo como inspiração acontecimentos do cotidiano de nossas vidas e que ele transforma em historias onde o amor, a alegria, a fé, a crença em Deus e na beleza da vida, a esperança, a perseverança, o orgulho, o preconceito, a tristeza e a presunção estão presentes nas vidas de seus personagens.

Cada conto escrito pelo autor, sempre tem um desfecho que transmite mensagens positivas e inspiradoras que massageiam o coração de quem os lê.

Este livro que encantou milhares de leitores chega à Bienal do Livro da Bahia em sua segunda edição, após ter sido esgotado a primeira nas livrarias e na editora.

A obra contém uma seleção 22 dos melhores contos do autor, eleito um dos escritores da década 2001/2010 e, em cada um deles, a emoção esta presente em cada linha.

José Araújo coloca tudo isto em seus textos de uma forma clara e profunda, quem tem tocado os corações de muitos leitores de todas as idades de norte a sul do país.

É difícil não se emocionar com esta obra do autor.

"Por um Mundo Melhor" Contos para reflexão de José Araújo, desde sua primeira edição tem sido utilizado por professores em sala de aula pelo seu conteúdo reflexivo, moral e cívico.

É um livro emocionante, que nos faz acreditar que juntos, ainda podemos fazer deste mundo, um lugar melhor para se viver.

SUMÁRIO

09 O PEQUENO ARCO-ÍRIS
18 ENIGMAS DO AMOR
26 CABIDE DOS SONHOS
34 A LÂMPADA E A LUZ
46 O GRANDE MAESTRO
58 A TAMPINHA PREMIADA
76 CISNE BRANCO
94 O ESTRANHO DENTRO DE NÓS
109 AMOR, ESTRANHO AMOR
138 O RESGATE
155 ESCRITOR DE EMOÇÕES
163 O BEIJO DA MÃE NATUREZA
179 AS MARGARIDAS
186 O LAGO DAS BATATAS
194 A SEREIA
201 O CALDEIRÃO DE SOPA DE DONA MARIA
209 OS CORCUNDAS DO PARAÍSO
217 A TAL DA GLOBALIZAÇÃO
225 FAZENDO A DIFERENÇA
231 A VOZ DO CORAÇÃO
237 A FADA MADRINHA E O FEITIÇO DA INDECISÃO
254 IDENTIDADES ESQUECIDAS

262 SOBRE O AUTOR

sábado, 12 de junho de 2010

O CHOCALHO


Quando eu era apenas um garotinho, eu e minha família morávamos numa Olaria, uma fábrica de tijolos de barro e durante toda a minha infância, eu convivi com muitos animais. Eu nem via o tempo passar correndo pelos campos que havia no enorme terreno onde ficava nossa pequenina casa de tijolos. Ela havia sido feita com materiais fabricados na própria Olaria, tanto os tijolos, como a massa que os unia e as telhas, eram feitas de barro. Foram tempos inesquecíveis. Sei que nunca esquecerei tudo que aconteceu naquele lugar. Lá, onde a pobreza era grande, mas, à beira do rio Tietê, na Várzea do Palácio, que fica no município de Guarulhos em São Paulo, onde cresci, havia paz e todos os seres vivos tinham forte ligação comigo e com as outras pessoas que moravam naquele lugar mágico e cheio de encantos, que na época, eu não dava a ele o devido valor.


Lembro de um acontecimento que marcou para sempre meus tempos de criança. No pasto, todo cercado, que havia perto de nossa casa, viviam dois cavalos. Se a gente olhasse de longe, os dois eram exatamente iguais. Tinham o mesmo tamanho e até suas crinas e caudas tinham o mesmo comprimento. Contudo, se chegássemos bem perto, veríamos uma coisa muito interessante. Um deles era cego. Meu tio, o velho Tião, não quis sacrificá-lo quando ele ficou cego após ter adoecido ao contrair um mal desconhecido. Muito pelo contrário. Ele o colocou no pasto cercado, onde havia alimento para ele em abundancia e muita grama verde e macia para quando ele quisesse se deitar para descansar. Lá, ele vivia confortável e seguro e meu tio por varias vezes parava junto à cerca, a caminho de sua tarefa diária na Olaria e ficava absorto em pensamentos. Eu observava tudo com muita atenção. Não compreendia aquela atitude dele, mas o tempo se encarrega de nos desvendar segredos que quando somos crianças não conseguimos decifrar. Dia a dia, curioso, eu comecei a acompanhar a vida daqueles dois animais mais de perto. Descobri que de longe, não havia nada de diferente naquele cenário magnífico, cheio de verde e de vida, mas chegando mais perto e ouvindo atentamente, era possível ouvir sinos tocando e eles vinham da direção do cavalo que não era cego.


Meu tio tinha colocado um chocalho amarrado por um cordão a um dos tornozelos dele e, por onde quer que fosse, era possível saber onde ele estava. Parado ao lado da cerca, olhando os dois animais, percebi que aquele que não era cego e, que carregava o pequeno chocalho, olhava de vez em quando na direção do seu amigo, que não mais podia enxergar. Percebi também que o cavalo cego seguia seu amigo por onde quer que ele fosse. Lentamente, ouvindo barulho do chocalho, ele caminhava na direção de seu amigo e, para ele, parecia ser uma coisa absolutamente normal. Ele agia como se acreditasse piamente no sinal sonoro dado a ele por seu amigo e o seguia na direção certa, sem nunca errar o caminho. Nos finais de tarde, quando a noite se aproximava, o cavalo que não era cego se dirigia ao pequeno estábulo de madeira que havia sido construído para os dois.

O mais interessante, era que antes de entrar nele, ele dava uma parada, fazia movimentos com a perna para fazer barulho com o chocalho e olhava para trás, para ter certeza de que seu amigo estava ouvindo o som e que o estava seguindo de perto. Sempre que ele fazia isto, eu me emocionava e meus olhos se enchiam de lágrimas. Com o passar dos anos, compreendi que assim como meu tio, dono dos dois cavalos, Deus não nos deixa de lado porque não somos perfeitos, ou porque temos problemas na vida. Ele esta sempre nos observando para ter certeza de que não ficamos para trás e quanto temos dificuldades, ele sempre dá um jeito de colocar outras pessoas ao nosso lado para nos ajudar, quando mais necessitamos.

Algumas vezes, somos como o cavalo cego, sendo guiados pelo som do chocalho que Deus põe naqueles que ele coloca em nossos caminhos. Outras vezes, somos como o cavalo que não era cego e ajudamos outras pessoas que encontramos durante nossa jornada pela vida, a encontrar o caminho.

Viver é estar todos os dias, durante vinte e quatro horas em sala de aula. Deus nos ensina muito a cada segundo de nossas vidas e ele o faz enquanto vivenciamos tudo que acontece conosco em nosso dia a dia. Muitos de nós aprendemos as lições que nos são ensinadas, passamos de ano e continuamos a aprender até o fim de nossos dias em constante evolução. Outros, tem que ficar em recuperação para ser lembrados daquilo que lhes foi ensinado, mas que não aprenderam, porque não deram ao Mestre, a devida atenção.


Autor: José Araújo