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domingo, 10 de janeiro de 2010

A ESPERA...




Num lugar distante, do outro lado do mundo, onde a neve, os ventos fortes e congelantes, associados ao frio cortante marcam seu reinado de forma penetrante, na mais alta das montanhas do lugar em um mosteiro milenar, um monge prepara um engradado feito de madeira, com pequenos buracos para respiração no qual ele vai enviar ao Brasil uma entrega muito especial.

Perto dele, uma ninhada de cachorrinhos brinca alegremente ao lado de sua mãe que esta deitada sobre algumas almofadas, preocupada com sua prole. Ao todo, ela deu a luz a oito cachorrinhos a pouco mais de um mês e o oitavo, mesmo sem saber, veio ao mundo com uma missão muito especial.

O monge ao terminar de arrumar o engradado, escreve num papel o endereço de para onde ele vai e aos cuidados de quem. Cautelosamente ele afixa o mesmo no engradado, procurando ver se estava bem preso, de forma que não se perca pelo caminho, assim ele pode ser entregue sem problema algum ao endereçado.

Com muito carinho, ele pega um dos cãezinhos, deixando que a mãe o cheire pela ultima vez e o coloca dentro do engradado, trancando-o com um cadeado, colocando a chave num envelope especial feito de plástico, prendendo-o no engradado como o fez com o endereçamento.

Lá fora os ventos não perdoam. Eles parecem querer carregar para longe tudo que se encontra à sua frente. Um cavalo montado por um mensageiro espera do outro lado do enorme portão do mosteiro. O monge protege bem o engradado com peles para que o cãozinho não morra de frio e com muita dificuldade abre a porta, dirige-se ao portão e o entrega ao mensageiro. Um último olhar para ver se esta tudo bem com o cãozinho e ele se despede do cavaleiro que aos poucos desaparece na tempestade de neve.

Assim começa esta historia emocionante que envolve um homem e um cão, onde a amizade sincera e verdadeira, o amor incondicional, a fidelidade e uma lealdade sem limites, muito além da imaginação pelos padrões de comportamento adotados por nós humanos nos dias de hoje, marcaram a existência de um cachorro muito especial.

Meses depois, após ter viajando muito a cavalo, ter viajado de trem centenas de quilômetros e atravessado oceanos em um navio cargueiro, finalmente, já com três meses de idade, o cãozinho chega ao porto do Rio de Janeiro. Durante toda a sua viagem, não houve uma só pessoa, que ao ler a etiqueta de endereçamento presa no engradado, não estranhasse um cãozinho sendo enviado de tão longe, para mais longe ainda. Todos que o viam, sempre se preocupavam com seu bem estar, alimentando-o como podiam e dando a ele água para beber sempre que possível, assim ele pode chegar bem, são e salvo ao Brasil.

Após o desembarque no porto, dentro de seu engradado ele foi entregue a uma empresa de transportes que se encarregaria de entregá-lo ao destinatário. Era uma sexta-feira, final de tarde e o motorista cansado de tanto trabalhar, acabou por resolver parar no meio do caminho para tomar uma cerveja e quando ele ia fazer o retorno para parar numa lanchonete de beira de estrada, o inesperado aconteceu. Um ônibus em alta velocidade atingiu a traseira da Van que transportava o cachorrinho e ela rodopiou na pista varias vezes antes de capotar. No auge do acidente, a porta traseira se abriu e carga se espalhou por todos os lados e com ela, o engradado que carregava o animalzinho caiu, sendo arremessado para longe, indo cair no meio do mato ao lado da rodovia. Com o choque, a tranca que estava presa pelo cadeado se quebrou e ele, meio atordoado, se viu livre no meio de lugar nenhum.

Assustado, ele começou a andar, subiu o barranco com dificuldade e chegou até o acostamento da via, olhou para os dois lados e se assustou com a quantidade de gente que havia parado para ver o acidente e com a fila de carros causada pelo congestionamento que havia se formado pelo que aconteceu. O pequenino ficou petrificado. Ele nunca tinha visto um carro, ou caminhão desde que nasceu. O que ele iria fazer agora? Para onde ele iria? Tudo que ele conhecia era o homem que o colocou no engradado e de passagem, todos os outros que de uma forma ou de outra cuidaram de seu bem estar durante a viagem. Entre gritos e muita discussão entre os dois motoristas que não morreram por milagre, ninguém notou que ali, bem ao lado deles havia um lindo cãozinho que tremia sem parar de tanto medo. Ele estava apavorado, inseguro, sem saber para que lado ir.

Ao lado da rodovia passava uma estrada de ferro, um trecho de uma das linhas da Central do Brasil. Em dado momento, ele ouviu o apito de trem que chamou sua atenção. Sem saber por que, ele seguiu caminhando rapidamente na direção de onde vinha aquele a som. Não demorou muito ele chegou até a escadaria que levava a uma estação que ficava nas proximidades. Nisto, já era noite, usando seu faro ele caminhou escada acima, tentando encontrar algum cheiro conhecido, mas nada encontrou. Não havia nada na plataforma. Nem uma alma viva estava lá para perceber sua presença. Triste e cansado, ele resolveu se deitar em cima de um dos bancos vazios onde os passageiros normalmente esperavam pelo trem. Mais de meia hora depois, ele já estava cochilando quando foi despertado pelo barulho do trem que estava chegando à estação. Mais uma vez ele começou a tremer. Aquele barulho enorme fazia até mesmo com que o banco de madeira onde ele estava deitado estremecesse. Era tudo tão assustador, tão ameaçado e não havia nenhum ser humano lá para ajudá-lo. De repente tudo mudou. Aquela coisa enorme, que soltava fumaça e apitava ferindo seus pequenos ouvidos abriu as portas e delas, uma multidão de gente começou a desembarcar.

Ele ficou em estado de alerta. Atento a tudo e a todos que passavam caminhando apressadamente pelo banco onde ele estava, resolveu pular no chão e seguir alguém. Instintivamente ele caminhava no meio daquela gente toda cheirando um por um. Ele, tão pequeno ainda, apenas uma bolinha de pelos, naquela noite escura e com a pouca iluminação da plataforma, quase não era percebido e os que se davam conta da presença dele nem ligavam. Caminhavam adiante sem dar a ele a menor atenção, afinal era apenas mais um cão como qualquer outro, numa cidade de animais abandonados e sem proteção.

Foi então que ele parou, sentou sobre suas patas traseiras e ficou apenas observando um por um. De repente, um par de pernas se deteve em sua frente e uma voz suave e carinhosa, numa língua que ele não compreendia começou a falar com ele. O cãozinho olhou para cima e um rosto amigável sorria para ele ao mesmo tempo em que fazia carinho em sua cabeça. De certa forma aliviado, ele não reagiu. Somente quando o homem se abaixou para vê-lo melhor ele deu um passo atrás. A voz daquele humano era tão calorosa e inspirava tanta confiança que ele resolveu se aproximar um pouco mais. O calor daquelas mãos era tão bom que ele não resistiu e se deixou ser acariciado. Preocupado com o destino do cãozinho, o homem o pegou no colo com dificuldade, pois carregava seu guarda-chuva e sua pasta contendo seu material de trabalho.

Enquanto ele caminhava em direção à sua casa, o bom homem se perguntava o que um cãozinho tão lindo como aquele estaria fazendo naquela estação de trem sem o seu dono. Ele era bonito demais e muito bem cuidado para ser um simples cachorro abandonado na rua. Alguém certamente o estaria procurando, mas quem? Onde? Isto certamente ele iria tentar descobrir. Para ele, todos os animais têm direito a ser bem cuidados como seres vivos que são. Carregado nos braços, sentindo o calor e as batidas do coração daquele humano, ele se sentiu seguro, protegido e num dado momento, para externar sua gratidão, ele lambeu o rosto de seu protetor. O homem sorriu, deixou que ele lambesse mais seu rosto e alegremente foi falando com ele. Sua voz era algo muito especial. Ela transmitia ao cãozinho muito carinho, muito amor e respeito. Naquele momento, ele sentiu bem dentro de seu pequeno coração, que mesmo sem entender uma única palavra do que o homem dizia, ele iria ficar com ele para todo o sempre. Ele estava feliz e aquele humano parecia estar também.

Ao chegar onde o homem morava, ele foi recebido pela esposa que ao ver o cãozinho em seu colo logo começou a falar alto e pelo que se podia sentir, não era nada bom. Agitado, o bom homem disse a ela que a permanência do cachorrinho seria só por uma noite e que pela manhã iria tentar encontrar seu dono para devolvê-lo. A reação dela foi dizer a ele que se ele quisesse que o pobre animal ficasse lá, ele deveria colocá-lo no quartinho dos fundos, mas nem pensar em entrar com ele em casa. Contrariado, mas sem ver outra solução, ele levou o cãozinho até onde sua esposa havia mandado colocá-lo, arrumou uma caixa de papelão, colocou dentro dela alguns panos para aquecer e deitou o animalzinho, gesticulando com a mão para que ele ficasse em silencio. Sua língua, ele não entendia, mas seus gestos eram universais. Ele já havia visto aqueles mesmos movimentos nas mãos do monge que ficou no lugar de onde ele veio.

Só, no escuro daquele quartinho, ele se lembrava vagamente de seus irmãos, de sua mãe e do lugar onde morava. Era tudo tão diferente. Naquele lugar aonde ele veio parar, não havia neve, nem vento. Fazia um calor constante e mesmo à noite era um contraste gritante comparado ao clima de sua terra natal. Após muito tempo ele adormeceu. Foi difícil pegar no sono porque ele sentia falta de ouvir aquela voz que o tratava com tanto carinho. Ele sentia falta do calor do corpo daquele homem e do toque de suas mãos. Seu ultimo pensamento, antes de adormecer, foi que daria tudo para estar lá, dentro daquela casa onde vivia aquele homem. Ele queria poder estar ao lado dele para poder sentir-se protegido e que aquele humano se preocupava com ele.

O sol já havia raiado quando ele acordou ouvindo vozes e quem estava falando, o fazia com um tom que não agradou aos seus ouvidos e ele ficou atento, ouvindo, procurando reconhecer no meio daquilo tudo aquela voz que tanto o acalmou. Uma pancada se fez ouvir. Era uma porta que havia sido fechada com força quando a mulher entrou em casa falando em voz alta que ele se virar e que dar um sumiço no animal. Ele não compreendeu o que ela disse, mas sentiu e aquilo lhe fez um mal enorme ao seu pequeno coração que começou a bater mais depressa. Era o medo e aquele sentimento ele já conhecia bem.

Ocorreu que o homem veio até o quartinho, abriu a porta devagar, olhou para ele e com o largo sorriso, cheio de bondade, disse a ele naquela mesma voz pela qual ele se apaixonou que iria trazer algo para ele comer gesticulando com as mãos. Ele compreendeu e começou a abanar seu rabinho alegremente. O homem disse que ele era um bom garoto e saiu. Quando ele voltou, trouxe uma vasilha com leite, alguns pedaços de pão que depositou na frente dele e passou a observá-lo comendo alegremente. Enquanto ele se alimentava, parava de vez em quando, olhava para o homem e abanava o rabo todo satisfeito. O homem emocionado, apenas sorria. O pequenino sabia que nunca mais iria esquecer aquele sorriso. Nele estava a representação de tudo que ele mais precisava agora.

O homem era professor de artes plásticas e dava aulas no centro do Rio de Janeiro. Todos os dias ele pegava o trem no mesmo horário pela manhã para ir trabalhar e sempre chegava no mesmo horário à tarde. Morar no subúrbio não era nada fácil, mas ele tinha quatro filhos e a esposa para cuidar. Não havia alternativa, a vida inteira ele trabalhou duro para sustentar a família e agora, mesmo já estando na faixa dos cinquenta, ele continuava a sua luta do dia a dia pelo ganha pão. Na verdade, a resistência de sua esposa em aceitar o cãozinho foi porque eles tinham uma cadelinha que viveu com eles muitos anos, mas ela ficou doente e morreu há pouco tempo atrás. Todos a adoravam e a esposa do professor que ficava em casa a maior parte do tempo era quem mais gostava da cachorrinha. Foi um choque e ela prometeu que nunca mais iriam ter outro cão.

As crianças, ou pelo menos eram chamadas assim, apesar de estarem todas criadas e cursando a faculdade, sempre diziam que a casa estava muito triste desde que Dérlica, a cachorrinha se foi.

O professor esperou o cachorrinho terminar de comer, fez sinal a ele para que ficasse quietinho, saiu e fechou a porta atrás de si. Inconformado, ele se levantou, foi até a porta que tinha uma fresta na madeira e ficou olhando o homem se distanciando até que saiu pelo portão e se foi. Triste, ele voltou para o lugar onde dormiu e se deitou. Foram horas intermináveis até que alguém aparecesse. O barulho da maçaneta sendo girada chamou sua atenção. Quando ela se abriu, ele não pode acreditar. Em vez de um sorriso amistoso, havia quatro! Todas aquelas pessoas falavam animadamente com ele e mesmo sem compreender, ele sentiu e entendeu. Logo depois uma voz pareceu estar chamando por eles em tom reprovador. De repente eles se foram e ele mais uma vez ficou só.

Os filhos do casal ficaram apaixonados pelo cãozinho e todos juntos foram até a mãe deles pedir que deixasse o bichinho ficar. A resposta foi não. Tristes, eles esperaram ansiosamente o pai chegar do trabalho e mal ele entrou em casa eles o abordaram fazendo todos os tipos de carinhos nele pedindo a ele que falasse com a mãe deles sobre o assunto. Eles queriam muito poder ficar com ele. Desde a morte de Dérlica a cadelinha, a casa ficou triste demais. Eles queriam que a alegria voltasse a viver naquela casa. O professor disse aos filhos que iria tentar, mas não poderia garantir nada se a mãe deles não quisesse. A ansiedade se instalou em seus corações. O cãozinho ainda não compreendia as palavras ditas por eles, mas ele as sentia e de alguma forma ele sabia o que estava acontecendo.

Enquanto sua esposa estava fazendo compras no supermercado, o professor foi até o quartinho, limpou as sujeiras feitas pelo cãozinho, o alimentou o melhor que pode, deu a ele uma vasilha de água e sorrindo como sempre, ele se foi. Quando ela chegou, ele pediu a ela que reconsiderasse sua decisão sobre o cachorrinho e ela foi taxativa, dizendo que não. Ele suplicou a ela para que pelo menos o deixasse ficar no quartinho até ele encontrar alguém que o quisesse adotar. Relutante, mas não querendo ser ditadora, ainda relutante ela concordou. Passaram-se dois dias e apesar dos esforços do professor, ninguém com quem ele conversou se habilitou a ficar com ele.

No terceiro dia, a esposa do professor estava lavando a louça na cozinha e pela janela ela o viu brincando com o cãozinho no quintal. Ele parecia uma criança. Deitava e rolava no chão com o bichinho e o cãozinho fazia de tudo para agradá-lo. Aos poucos, vendo aquela cena de alegria e descontração depois de tantos meses de tristeza no coração daquela família, ela se perguntou se aquele animalzinho não havia sido enviado a eles para trazer de volta a alegria que perderam quando Dérlica se foi.

Observando aqueles momentos repletos de alegria e descontração, ela não percebeu que sua filha mais velha estava ao seu lado assistindo tudo e com os olhos cheios de lágrimas. Quando ela percebeu, as duas se olharam, se abraçaram e deixaram as lagrimas de emoção fluir livremente de seus olhos. Mãe e filha choravam ao ver os dois brincando juntos como duas crianças e os dois se divertiam como nunca em suas vidas com uma bolinha de borracha que tinha sido da cadelinha que morreu. Eles sem dúvida nenhuma estavam unidos por um sentimento muito forte e este sentimento, não se restringia somente aos dois, ele se alastrava por toda a família como não poderia deixar de ser.

O telefone da cozinha tocou. A esposa do professor atendeu e era uma pessoa que tinha sido informada de que eles estavam doando um cãozinho. Com o telefone encostado ao ouvido, olhando aqueles dois meninos brincando na grama do quintal dos fundos, ela disse que sentia muito mesmo, mas o cãozinho já havia sido dado a alguém.

Para quem até então não tinha nome, naquele mesmo dia em meio a muita bagunça e alegria entre todos da família, mas principalmente no coração do professor, depois de terem sido colocados em votação vários nomes, ele ganhou por unanimidade o nome de Bob e daquele dia em diante, definitivamente Bob nasceu no seio daquela família que o acolheu de coração.

Com o passar do tempo, Bob foi crescendo, aprendendo a língua estranha que eles falavam e aos poucos ele já entendia tudo que todos diziam e ele estava feliz. Ele estava ao lado daquele homem que o encontrou na estação e que ele escolheu para ser seu amigo até o fim de seus dias. Que mais ele poderia querer? Bob trouxe de volta a vida ao seio daquela família. Ele passou a ser parte de suas vidas como Dérlica a cachorrinha um dia o foi. Mas ele era diferente e o tempo iria se encarregar de provar isto a todos.

Bob aprendeu a atender aos chamados da dona da casa, aos pedidos das crianças que não mais eram crianças, mas principalmente, aprendeu os horários em que seu melhor amigo saia para trabalhar e também a que horas ele voltava para casa. Um dia, ele viu quando o professor saiu para o trabalho fechando o portão de madeira atrás de si. Inconformado, Bob cavou com as patas um buraco por debaixo da cerca e fugiu atrás de seu dono. Ele precisava saber aonde ele ia todos os dias. Quando o trem chegou à estação e o professor estava prestes a embarcar, Bob apareceu. Naquele momento, atrasado para o trabalho, ele tentou fazer Bob voltar para casa sozinho, mas foi em vão. Ele ficou parado no lugar onde estava olhando nos olhos de seu melhor amigo. Emocionado, o professor resolveu levá-lo para casa e ao chegar lá, disse a ele que ficasse lá a sua espera, pois no final da tarde ele estaria de volta. Bob não demonstrou, mas entendeu.

No final do dia, quando o trem chegou à estação, da janela o professor pode ver Bob sentado sobre as patas traseiras em cima de um dos bancos de espera e ele estava em posição de alerta. Ele soube naquele instante que aquele cachorro que ninguém nunca soube de onde tinha vindo e que surgiu como milagre em sua vida o estava esperando e sorriu. Ao descer as escadas do vagão onde estava e percebendo que Bob o havia visto, ele o chamou, Bob pulou do banco onde estava e foi correndo ao seu encontro. Foi um encontro emocionante. O professor o abraçou e o beijou chamando-o de amigão. Uma cena tocante e incomum que trouxe lágrimas aos olhos de muitos passageiros mais sensíveis que presenciaram o carinho que havia entre os dois.

O tempo passou, Bob foi crescendo mais e mais, os filhos do professor se formaram, foram se casando e formando suas próprias famílias e ele acompanhou de perto tudo que aconteceu ao longo dos anos. Nas festas, Bob estava sempre presente e era a atenção de todos os convidados. Ele era educado, não fazia nada que não devesse fazer e quase nunca latia. Quando se manifestava, era com abanos de rabo, com lambidas amorosas e com olhares e gestos que todos compreendiam. Bob não parecia um cão. Ele parecia mais um anjo que tinha vindo do céu para cuidar de todos, mas principalmente do professor.

Todos os dias, ano após ano, Bob ia com o professor até a estação, esperava que ele tomasse o trem e depois voltava para casa. Todos na redondeza o conheciam e admiravam o carinho e amor que ele tinha pelo professor. Quase sempre ele ganhava de alguém um presente pelo caminho. Era um pedaço de carne, uma linguiça, um pão ou até mesmo comida. As pessoas passaram a amar Bob pelo que ele era e pelo que ele representava na vida do professor. Quando o trem chegava ao final da tarde, era sempre a mesma alegria no encontro dos dois. Era como se eles não se vissem há longo tempo e assim, com o calor da amizade, do amor, do carinho e absoluta devoção que havia entre eles, os anos foram se passando, os dois envelhecendo, os netos do professor chegaram e a vida seguiu seu rumo como tinha que ser. Nas horas de folga em finais de semana, os dois corriam pelos parques da redondeza, pelos campos de futebol onde a garotada jogava as peladas todos os dias. A alegria e a vontade de viver sempre fizeram parte da vida dos dois e ela se irradiava, envolvendo a todos os outros componentes da família e de todos os amigos e conhecidos.

Ao longo dos anos Bob nunca falhou em ir receber o professor na estação, mas num certo dia, quando o trem parou e ele foi desembarcar, procurou seu amigo ansiosamente com os olhos, mas foi em vão. Bob não apareceu. O professor perguntou a todos que conhecia se haviam visto seu cão, mas a resposta de todos foi não. Preocupado, ele se apressou para chegar em casa para saber o que tinha acontecido. Chegando lá ele procurou Bob pela casa toda. Perguntou à esposa se sabia do paradeiro do cão, mas ela disse que não. Bob nunca foi de latir, mas de repente, o professor ouviu seu latido vindo dos fundos da casa e com o coração batendo a mil por hora ele correu em sua direção.

Quando chegou perto do quartinho onde Bob ficava quando surgiu em suas vidas, ele percebeu que a porta estava bloqueada com uma infinidade de sacos de cimento que foram entregues naquela tarde e que por descuido dos entregadores não permitiram a saída de Bob de sua prisão. Quando ele conseguiu liberar a porta, Bob pulou em cima dele e o cobriu de lambidas. Quase era possível ouvir as batidas do coração dele de tanta excitação. Bob e o professor eram amigos, mas amigos de verdade e que fariam de tudo para estar ao lado um do outro.

Os anos se passam e certa manhã, quando o professor ia sair para trabalhar, Bob teve uma reação inesperada. Ele se colocou no caminho entre o professor e o portão que dava saída para a rua e começou a latir. Latir nunca foi sua especialidade, mas naquele dia além de latir ele dava voltas em torno de seu corpo na frente do professor, como se quisesse dizer a ele que não deveria ir. Ele compreendeu o que Bob queria dizer, mas disse a ele que estava atrasado e não poderia faltar ao serviço, principalmente naquele dia, pois era dia de prova de seus alunos. Bob não se conformou. Ao saírem para a rua como sempre o faziam em direção à estação, ele tentou fazer seu amigo parar e voltar para casa, mas não conseguiu. Ao chegarem à estação, o trem já estava para partir, o professor correu para subir no vagão e Bob muito nervoso e agitado latiu mais uma vez, como se suplicasse que ele não fosse. Os dois se olharam, o professor sorriu e aquele foi para Bob o mesmo sorriso que ele recebeu dele no dia em que o encontrou e seu coração bateu acelerado quando o trem partiu.

No final da tarde, quando Bob voltou à estação no mesmo horário de sempre para esperar pelo professor, o trem chegou, mas ele não desembarcou. Bob esperou o próximo trem, o próximo e até o ultimo, mas ele não chegou. Triste, com o a rabo entre as pernas, ele caminhou lentamente de volta para casa e quando lá chegou, não havia ninguém. Cansado de esperar e com fome, Bob deitou-se em frente à porta da sala e lá ele adormeceu.

No dia seguinte pela manha, um carro parou em frente à casa do professor e os filhos dele vieram ao encontro de Bob. Feliz por vê-los de novo ele se levantou abanando o rabo, mas ao invés de sorrisos, havia lágrimas escorrendo naqueles rostos onde ele sempre tinha visto sorrisos de alegria e felicidade. Ele não entendia o que estava acontecendo, mas sabia que algo estava errado, mas fosse o que fosse, teria que ficar para depois, pois quando chegasse o final da tarde, ele estaria fielmente sentado no banco de madeira da estação à espera da volta de seu maior amigo.

O dia se passou, pessoas vestidas de preto entravam e saiam da casa do professor. O movimento e agitação era tão grande que se esqueceram de dar a ele o que comer e beber. Bob não estava preocupado com isto. Tudo que ele queria era estar com seu amigo. O portão estava trancado na hora costumeira de Bob sair para ir à estação. Desesperado por não ter ninguém mais em casa para soltá-lo ele não viu alternativa. Com o passar do tempo muitas coisas mudaram, o muro era alto com um portão de ferro e com pontas de lança em cima dele e se Bob tentasse pular e errasse o pulo, talvez fosse seu fim. Ele já sabia disto, pois tinha visto um ladrão ficar preso lá quando estava tentando fugir ao invadir a casa pela madrugada. Risco? Quem na vida não corre riscos? Porque ele deveria pensar primeiro nele e depois em seu amigo? Decidido, Bob caminhou até o fundo do quintal. De lá, ele calculou a velocidade e altura do pulo para chegar ao lado de fora e começou a correr. A velocidade foi aumentando a cada pisada que ele dava no chão, até que em determinado momento, Bob deu um impulso para cima e para frente e o enorme cão voou por cima do muro, como num filme rodado em slow motion, com sua barriga passando a milímetros das pontas de lança.

O pouso do outro lado não poderia ter sido melhor. Ele caiu em cima de um monte de areia que o professor tinha mandado descarregar em frente ao muro para começar uma reforma nos fundos. Bob mal aterrissou e já disparou a toda velocidade em direção à estação. Estava quase na hora do trem chegar e ele não poderia desapontar seu amigo. Ele não via a hora de ver novamente aquele sorriso que tanto amava. Lamber aquele rosto para ele sempre foi o maior premio de sua vida. O trem tinha acabado de parar na estação quando Bob chegou. Com as orelhas em pé, sentado sobre as patas traseiras no mesmo banco de sempre, ele esperou, mas seu amigo não chegou.

Somente quando o ultimo trem passou foi que ele voltou para casa. Ao chegar lá o portão estava aberto. Ele entrou, foi até a porta, tentou abri-la na esperança de seu amigo estar lá, latiu, mas não houve resposta. No dia seguinte, a esposa do professor parecia muito triste e os filhos dele já não mais estavam lá. Um homem esquisito apareceu, apontando para todos os lados da casa, como se ela fosse dele e Bob não gostou do que sentiu. Uma semana se passou, todos os dias ele ia até a estação esperar seu amigo, mas ele nunca mais voltou. Bob nunca compreendeu, mas nunca iria desistir de rever aquele homem que ele amava tanto.

Num domingo, um caminhão encostou em frente à casa onde moravam e muitos homens começaram a retirar as coisas de dentro dela e foi então que ele compreendeu. Iriam embora dali sem o seu amigo! Isto ele não iria deixar acontecer! Como um raio, Bob saiu correndo pelo portão que estava aberto e foi direto para a estação. Quando lá chegou foi recebido pelo rapaz que vendia pipocas que perguntou a ele o que estava fazendo por lá. Ele ouviu, mas não compreendeu. Era muito cedo ainda, mas ele iria ficar lá até a hora de seu amigo chegar. Ir embora com a esposa dele, não era aquilo que coração dizia a ele para fazer e lá ele ficou, até o ultimo trem passar. De novo ele não chegou, mas Bob não iria desistir. Um dia ele iria voltar e mesmo que isto levasse uma vida inteira, ele iria esperar seu amigo.

Todos os dias, infalivelmente, no mesmo horário, Bob chegava à estação e só ia embora quando passava o ultimo trem. A estas alturas ele dormia embaixo de viadutos para se proteger do frio ou da chuva, mas com alimentação ele nunca teve problemas. Pessoas que conheciam a ele e ao professor, emocionadas faziam questão de alimentá-lo e cuidar para que não faltasse nada para comer. Ninguém compreendia aquela atitude dele. Como um cão poderia ser tão fiel e devotado a ponto de esperar tanto tempo pela volta de seu dono que já havia morrido há quase dez anos atrás.

Certo dia, a esposa do professor voltou ao bairro para matar as saudades. Dez anos tinham se passado desde a morte do professor que teve um ataque repentino de coração e faleceu em sala de aula. Foi por esta razão que ele não voltou, mas Bob não sabia disto e para a surpresa dela, quando passou em frente à estação, lá estava ele. Velho, pelos grisalhos, olhos cansados, mas sentado sobre as patas traseiras no mesmo banco de sempre à espera de seu amigo.

Ela não se conteve. Com lágrimas correndo livremente em seu rosto, ela aproximou-se de Bob, acariciou sua cabeça, ele voltou-se para ela por alguns segundos e novamente olhou na direção de onde viria o trem. Com voz embargada, ele disse a ele que também sentia muita falta do professor e compreendia muito bem a dor da separação. Abraçada a Bob, ela pediu a ele permissão para esperar ao lado dele pelo próximo trem. Ele se virou para ela, como se compreendesse o que ela havia dito, lambeu seu rosto e lado a lado eles ficaram lá à espera do trem.

Passou o primeiro trem, o segundo e como sempre, o ultimo trem passou e o professor não chegou. Bob parecia cansado, exausto e ela também. Ele se levantou e caminhando devagar ele se foi sem olhar para trás. Ela compreendeu e seguiu seu caminho. Ao chegar à casa de seus filhos, soube que durante todos os anos que se passaram, Bob não havia falhado um só dia em estar presente à chegada do trem na estação e que só ia embora para o seu canto quanto o ultimo trem passava. Os netos do professor já estavam grandinhos e todos eles amavam ouvir as estórias sobre Bob e seu avô. Para eles Bob era um exemplo de lealdade, de fidelidade e de amigo.

Mais alguns meses se passaram, até que numa noite de muita chuva no Rio de Janeiro, Bob, mais cansado do que nunca em sua vida, dirigiu-se mais uma vez para a estação. Ele sabia de alguma forma que seu amigo jamais o deixaria. Que um dia ele voltaria para ele e quando isto acontecesse, seria o dia mais feliz de sua vida desde que ele se foi. Aqueles pensamentos deram forças a ele para chegar até o banco na estação e com muita dificuldade, ele conseguiu subir nele e lá ele ficou. Chegou o primeiro trem, mais outro e mais outro, o tempo só estava ficando pior e a chuva estava cada vez mais forte, ventava muito, mas Bob não iria sair de lá até o ultimo trem chegar.

O ultimo trem chegou. Poucos passageiros desceram. Já era de madrugada e com aquele tempo ruim poucos se arriscavam a andar pelas ruas naquelas condições. O professor mais uma vez não chegou. Naquele dia ele não se levantou para ir embora como fazia todos aos dias ao longo dos anos. Seu corpo estava pesado. Ele não tinha forças para se levantar. Um sono enorme foi tomando conta de Bob e ele mal conseguia manter seus olhos abertos. Aos poucos, ele foi cedendo àquele sono que o estava dominando e foi cerrando lentamente seus olhos. Mesmo antes que eles estivessem totalmente fechados, tudo foi escurecendo à sua volta. Ele se lembrou de quando era pequeno, quando o professor o colocou no quartinho dos fundos por ordem de sua esposa e do medo que tinha de ficar só. Lembrou-se da alegria que sentia quando pela manhã seu amigo abria a porta e com um sorriso lindo estampado no rosto fazia com todo seu medo e insegurança se dissipassem como mágica.

Finalmente tudo ficou escuro. Bob não abriu mais os olhos. Aos poucos, uma luz infinita foi surgindo ao longe no meio de toda aquela escuridão. Ela foi se aproximando e iluminando tudo à volta dele e de dentro dela, uma voz se fez ouvir. "Bob! Voltei amigão!” Bob abriu os olhos, mas ele não estava acreditando no que ouviu. Tentando enxergar melhor o que havia no meio daquela luz intensa que brilhava à sua frente, Bob reconheceu o professor. Com aquele mesmo sorriso de sempre, com a mesma voz suave e carinhosa ele havia dito a ele que tinha voltado! Bob não sentia mais cansaço. Não sentia eu corpo pesado. Ele se levantou com a mesma agilidade e vitalidade que tinha quando era jovem e correu em direção à luz onde encontrou finalmente seu amigo.

Os dois se abraçaram como nunca, Bob lambeu o rosto de seu amigo como sempre o fez, com amor, com carinho. Ele recebeu muitos afagos, muitas palavras de amor e amizade. Bob pulava de alegria e o professor sorria observando feliz o seu melhor amigo. Ainda era noite para todas as outras pessoas e animais na cidade, mas para eles não. O sol brilhava nos céus do Rio de Janeiro a primavera havia transformado a cidade num jardim multicolorido sem igual. Despreocupados, os dois saíram correndo pelas praças e pelos parques da cidade, exatamente como faziam antes do professor partir. Agora eles estavam vivendo no paraíso. O que importava para os dois é que eles estavam alegres, livres, leves e soltos, mas o mais importante de tudo e o que Bob sempre desejou do mais fundo de seu coração, eles estavam juntos de novo e, desta vez, para sempre...

Às vezes, vale à pena esperar...

Autor: José Araújo




7 comentários:

Nadja disse...

Maninho querido, que linda historia de amor verdadeiro. Como é fiel, sem pedir nada em troca o amor de um animalzinho por seu dono. Os humanos deveriam espelhar-se nessas criaturinhas que sem noção de tempo, estão sempre felizes pela sua volta, mesmo sem saber quanto tempo isso demorou pra acontecer. Por dez anos Bob esperou sem falhar um dia, até que seu dono veio busca-lo para ficarem juntos. Só mesmo essa sua imaginação privilegiada para um desfecho não emocionante. Irracionais somos nós que tantos obstáculos criamos e nem percebemos que a felicidade está nas coisas mais simples, num gesto de carinho, num sorriso, num afago. Só você vai me entender ... esperar? Para mim não valeu a pena, não tive a sorte o Bob.
Bjkas querido, amo vc incondicionalmente

Marilene disse...

Dizem que o amor mais fiel que existe é de um cão pelo seu dono, pois ele não enxerga os defeitos do ser humano. E nunca o abamdoma por nada. A fidelidade é incondisional.
Muito lindo o amor do professr pelo cão e vice versa.Ambos precisavam de carinho.
Sabe, o ser humano deveria ser assim, mas ser humano já significa que não é perfeito.Temos falhas demais.
O mais triste foi a espera do cãozinho que jamais desistiu do seu amigo, chegando a sentir que ele estava em perigo. Fazendo tudo para evitar o seu último embarque no trem.
Eu tenho um casal comigo de taça diferente, mas já me demonstraram as suas sensibilidade em relação a nós e é maravilhoso poder contar com eles sempre.
Bob veio de encomenda para o provessor. Nada é por acaso!
Um abraço José e muitas saudades!
Beijos da amiga de sempre.

Nara II disse...

José, amigo e escritor querido, mais uma vez você conseguiu, através de tão emocionante história de amor, tocar fundo em minha alma, fazendo brotar lágrimas de meus olhos...Lágrimas de emoção...Lágrimas de amor...
Como é lindo podermos sentir tão fortes emoções! O amor toca nossos corações, despertando sentimentos adormecidos no corre-corre da vida.
Foi muito bom ler essa história onde o amor impera e fazer-me perceber que o amor é capaz de superar obstáculos intransponíveis.
Obrigada, José, por me proporcionar esse momento de encontro comigo mesma através de tão emocionante leitura.
Parabéns, amigo!!!

Isaulina disse...

Jose Araujo é muito emocionante esta historia porque os animais não tem noção de nada e eles são muito amorosos, como a Nadja diz os humanos deveriam se espelhar nos animauzinhos com certeza, porque o amor deles são verdadeiros e sem interese nenhum.
E eu concordo com a Nadja nós colocamos obstáculos e criamos obstáculos em tudo sem perceber que a felicidade está nas coisas mais simples da vida, num gesto de carinho, num sorriso num afago.
Isto é queda prazer, da uma sensação de bem estar, ter amor no coração com sinceridade e verdade.
Se todos os ser humanos agisem com tato, se tivessem sensibilidade de lidar com seu proximo, o mundo seria bem melhor.
Tem muitas coisas neste mundo que da até repugnância, em geral as pessoas pensam mais em si proprio, não ligam para a dificuldade do proximo, e nem precisam fazer muito basta apenas um gesto para menimizar a dificuldade do proximo.
Jose Araujo eu tenho dois cachorros é um macho e uma femea, eles são como filhos para mim, visto que eu não tenho filho, mais eu trato eles como filho, me preocupo muito com o bem estar deles rsrs você precisa de ver a festa que eles fazem quando eu chego rsrs
Jose Araujo você precisava senti a emoçao que eu sinto quando chego aqui no seu blog, me sinto tão feliz de poder esta participando do seu conto, pode demorar o tempo que for mais jamais deixarei de vim aqui.
Obrigada amigo por me proporcionar tanta alegria.
E me desculpa por eu copiar uma boa parte do comentario da Nadja kkkkk
Mas, eu copiei porque uma boa parte das palavras dela são as minhas também.
Jose Araujo: Eu prefiro ter um amigo sincero do que ter milhares de amigos, todos meus amigos podem me deixar se quizer, mais eu jamais quero te perder!!!
Eu nunca te vi, não te conheço, mais o meu coração não quer te deixar.
Jose Araujo te amo de coração ♥ com todo respeito e carinho.
Deus que conceda todos os desejos do teu coração ♥
Nunca se esqueça você é muito especial para mim beijoooo
Felicidadeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

Sandra Silva disse...

Pois é, José...
Enqto houver sentimento sufuciente pra se contar estórias, creio que haverá emoção igualmente suficiente pra se lê-las e,assim, tentar (ainda!) crer num... mundo melhor, não??!!

Bj na alma

domingos disse...

Numa língua que todos percebemos e que alguns nos dão a entender... Amor em qualquer língua.
Recomendo «Nero», conto de Miguel Torga cujo personagem, da mesma espécie, tanto se assemelha ao nosso «dever-ser».
Um abraço emocionado,
Domingos.

Cogu Cogumelo disse...

Muito linda essa história. Gostei da foto do cachorro. Quem me dera ter um igual.
Você é um ótimo escritor, escreve maravilhosamente bem.

já estou seguindo seu blog.
Depois da uma passadinha no meu blog e leia meus textos, é bom ter a opinião de um profissional.

http://tocadocogumelo.blogspot.com/