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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O TUAREG...


Num lugar legendário, onde a terra é seca, onde o vento sopra sobre um mundo de areias e pedras, onde o sol ardente força o homem a levar uma silenciosa e discreta existência, é lá, que iremos conhecer a estória de Aziz, o Tuareg.


Seu povo nômade vive a mais de dois mil anos no imenso deserto do Saara, um lugar mistico, cheio de paisagens diferentes, que escondem em dunas ou rochedos ardentes, pequenos oásis que parecem peçados de um paraíso perdido.


Este meio ambiente, onde a vida real, os sonhos, os mistérios e o misticismo se misturam ao lugar, tem moldado ao longo dos séculos o povo Tuareg, também chamado de Molâthemin (Povo dos véus), um povo que diferentemente de outras nações do Oriente Médio, não obriga as mulheres a cobrirem o rosto, mas sim os homens, para evitar que os maus espíritos se apoderem deles entrando pela boca e pelo nariz.


Na cultura Tuareg, os chefes de cada grupo sempre foram mulheres, pois são elas que tem o dom da intuição e o poder de falar com os espirítos da natureza.


Para os Tuaregs, o conceito de masculinidade se media pelo comportamento rude de um guerreiro, ele não poderia ser sensivel, muito menos expressar os seus sentimentos.


Há tempos atrás, no Vale de Tidene, nascia Aziz, filho da Amenokal (suprema chefe) Tin Hinan e sua chegada foi saudada com honrarias por todos os componentes da tribo e desde bebe, foi entregue ao mais bravo dos guerreiros para ser treinado.


O tempo não para, os dias e noites se tornam pássaros, se juntam em bandos, voam para longe, não voltam mais.


Aziz cresceu, já era quase adulto e de vez em quando, fechava os olhos e vivia o ontem, galopando com seu pai num cavalo alasão e ele segurando-o firme pela cintura, enquanto Aziz abria os braços e parecia estar voando, como se os Deuses tivessem de repente, lhe dado este poder...


Viver o Ontem, era algo que ele gostava de fazer de vez em quando, algo que lhe trazia paz e esperança de que um dia tudo pudesse mudar em sua vida, que ele realmente pudesse ser livre para ser ele mesmo, sem nunca fingir.


Tin Hinan sua mãe, ordenou ao seu melhor guerreiro a ensinar Aziz desde pequeno o que era ser homem em sua nação, mas para isto ele teve que aprender a lutar e matar seu semelhante, mas bem no fundo de seu coração, Aziz nunca aceitou esta imposição.


O tempo como sempre, não para, os dias e noites se tornam pássaros, se juntam em bandos, voam para longe, não voltam mais.


Ele se tornou um adulto, cada vez mais belo, tanto que muitos de sua tribo, diziam ao pé da orelha uns dos outros, que ele não tinha feições masculinas, nunca seria um guerreiro, seria a vergonha de sua nação...


Os homens geralmente cobriam o rosto com o véu, quando chegavam à idade adulta numa cerimônia de iniciação e finalmente, chegou a vez de Aziz usar o seu, mas algo estranho aconteceu...


Tin Hinam colocou o véu em Aziz cobrindo-lhe a face e o levou para fora da tenda, para que todos pudessem ver que seu filho já era um adulto, que já poderia atravessar com as caravanas, o imenso deserto do Saara.


Quando eles apareceram na saída da tenda, não houve, homem, mulher ou criança que não levasse as mãos à boca em sinal de espanto, pois a expressão de seus olhos, a única coisa plenamente visível agora, era de um anjo, não de um guerreiro bravo e feroz.


Até então Tin Hinan não havia prestado atenção em seu filho, pois o posto de chefe suprema da tribo, lhe tomava todo o tempo e agora, diante daqueles olhos ela se sentiu pequena, foi como se de um momento para o outro, ela tivesse descoberto que havia na vida de um homem, muito mais do que simples coragem e bravura, que havia também sentimentos...


Após alguns momentos de silêncio, sua mãe anunciou à tribo que seu filho iria daquele dia em diante fazer parte do grupo que vigiava o acampamento à noite e não houve quem não aclamasse Aziz pela grande honra que estava recebendo.


Porém, dentro de Aziz havia um vazio enorme, havia uma dor imensa que o atormentava a cada momento, pois usar o véu para cobrir o rosto era sinal de que estava fadado a reprimir seus sentimentos...


E o tempo se passou, os dias e noites se tornaram pássaros, se juntaram em bandos, voaram para longe e não voltaram mais.


Dia após dia, Aziz ficava cada vez mais triste e a expressão que havia em seus olhos, incomodava a todos os seus companheiros e era tanto o incomodo causado, que eles resolveram se afastar dele, pois achavam que ele era uma ameaça à reputação masculina de todos os homens da tribo.
Aziz viu se só, numa noite silenciosa, deitado sobre uma pedra, no topo da montanha olhando para o céu e as estrelas, que magicamente, estavam iluminados por uma Lua, que parecia preencher todo o firmamento.


Sua voz estava silenciada, mas seu coração gritava, ele queria que os Deuses lhe mostrassem o caminho a seguir, o caminho da salvação, pois para Aziz, aquilo não era vida, era uma prisão onde ele estava sendo reprimido e oprimido ao mesmo tempo, tendo seu direito de ser negado por toda sua gente, inclusive por aquela, a quem ele tanto amava, sua mãe Tin Hinan.


Ele fechou os olhos por alguns instantes tentando ouvir o som do silêncio que o rodeava e foi então que ele ouviu uma voz firme e suave ao mesmo tempo, dizendo ao pé de seu ouvido...


“Aziz, lembre-se de que o que faz do deserto um lugar mágico é que nele, em algum lugar, há sempre um poço de água escondido, de onde se pode beber a essência da vida.”


“Você é um poço escondido no deserto de amor que é seu povo, um poço de onde um dia, eles beberão a sabedoria de que o amor tem mais força do que a guerra e de que a vida, é o maior bem que existe neste mundo...”


“Eles aprenderão que é preciso viver e deixar viver...”


Aziz levantou-se, seu coração batia calmo e compassado enquanto caminhava em direção à sua aldeia e seu caminho foi iluminado a cada passo pela luz divina que sempre o acompanhou, a diferença foi que daquele instante em diante ele compreendeu a importância de ser ele mesmo, de demonstrar todos seus sentimentos.


Aziz tirou o véu, caminhou de rosto livre, com o vento da noite soprando em seus cabelos e em seu rosto, um sorriso que nunca mais deixou de acompanha-lo por toda a sua vida.


Como sempre, o tempo não para, os dias e noites se transformam em pássaros, juntam-se em bandos, voam para longe e não voltam mais.


O povo de sua aldeia, desde a manhã daquele dia que ficou para trás a muito e muito tempo, passou a enxergar Aziz com outros olhos, não estranharam a ausência do véu em seu rosto, apenas enxergavam seu sorriso, puro, sem maldade, viam nele, o que havia escondido dentro deles mesmos, a necessidade de viver em paz e aceitar as diferenças entre seus semelhantes.


É certo que o tempo não para, os dias e noites se transformam em pássaros, juntam-se em bandos, voam para longe e não voltam mais.


As mulheres Tuaregs continuam sendo as lideres de seus grupos, mas no Vale de Tidene, os homens de hoje, mesmo ainda usando seus véus, vivem em paz consigo mesmos, sabem apreciar a paz e beleza de uma flor quando milagrosamente, a encontram pousada sobre uma pedra pontuda e afiada, à beira de um poço de areias movediças, no meio do deserto infinito, do ódio e do rancor...


Texto: Jose Araujo


Fotografia e arte digital: Jose Araujo

sábado, 15 de setembro de 2007

A TAL DA "GLOBALIZAÇÃO"...




Em meio à floresta amazônica, havia um burburinho enorme entre os animais, pois eles haviam ouvido que um novo mundo iria exigir muito de cada um deles, muito mais do que cada um era capaz de fazer, mesmo sendo muitos bons naquilo para o qual foram criados por Deus.

A todo momento, falava-se de uma tal de “Globalização” e eles estavam muito preocupados, pois ouviram os homens dizerem que se cada um não se adaptasse para atender às novas exigências de capacitação individual, seriam excluídos, simplesmente deixados de lado, sem chances de progredir na vida e serem felizes.

A preocupação entre todos era tanta, que de boca em boca, logo, logo, o mundo dos animais estava em pânico e resolveram se unir e criar uma nova escola para que todos pudessem frequentar, estudar bastante e se formarem obtendo um diploma que certificasse a capacitação de cada um, evitando assim os sofrimentos que iriam ocorrer com o novo mundo que estava para chegar.

Para ficar fácil a administração do currículo, todos os animais deveriam estudar todas as matérias, sem exceção, não deixando ninguém fora das aulas práticas e teóricas em sala de aula.

Claro, a sala de aula dos animais era toda a floresta e assim não havia dificuldade em se ministrar qualquer uma das matérias adotadas no currículo.

Logo nas primeiras aulas, claro, o pato se destacou em natação, alias, ele era muito melhor nisso que seu próprio professor, porém manteve ao longo das aulas uma media razoável em voo por causa de seu peso acima da média e era muito fraco em corrida.

Uma vez que ele era muito lento em corrida, sempre ficava após as aulas para praticar e teve que deixar a natação de lado, para tentar aprender a correr bem. O professor lhe disse que enquanto ele não ficasse realmente bor em corrida, não voltaria a praticar a natação que era a coisa que ele mais gostava na vida.

Assim foi feito, o pobre pato tentou, tentou e tentou, até que seus pés ficaram tão machucados, que nem que ele tentasse, não conseguiria sequer correr para dar impulso e voar, assim, o coitado não mais nadava, não mais corria, nem voava, estava acabado de tanto treinar a fazer aquilo para o qual não foi criaod por Deus.

O coelho, é lógico, era o primeiro da classe em corrida, mas logo teve um colapso nervoso de tanto tentar aprender a nadar bem o suficiente para ser aprovado nos exames finais, pois nem mesmo conseguia média em notas para passar de ano naquela matéria e isto acabou com o pobre bichinho psicologicamente. Ele ficou tão deprimido, que nem mais se levantava do lugar, nem andava, nem corria, nem tentava nadar.

O macaco era um espanto em escalada, tirava dez em todas as aulas, até que o pobre animal desenvolveu uma frustração profunda, pois só tirava zero em voo, desde que seu professor o obrigava a começar do chão ao invés do topo das arvores.

A situação ficou tão séria para o macaco, que foi preciso leva-lo ao consultório da Dra. Jiboia, a maior psicóloga da floresta, pessoa com uma grande capacidade hipnótica, que notando que o pobre não tinha nem mais forças para se defender, deu-lhe um abraço fatal, quebrou todos os seus ossos e o engoliu. Foi o fim do macaco.

No final de sua vida, ele não mais ia às aulas, não subia nas arvores, não mais voava de galho em galho, no que ele era craque, não mais queria andar, afinal, foi proibido de subir nas árvores, coisa que tanto amava fazer e, pelo que se sabe, não é que ele não tinha mais forças para se defender quando a cobra o comeu, o que ele queria mesmo era morrer, pois a vida não tinha mais sentido, ele se considerava um incapacitado para enfrentar as exigências da tal “Globalização”, do mundo novo e exigente que estava para surgir em sua vida e que iria tentar mudá-lo de qualquer forma, sem mesmo perguntar se ele era capaz de fazer coisas para o qual ele não foi criado.

O gavião então, este era um aluno problema, ele foi castigado várias vezes severamente, pois nas aulas de escalada ele superava a todos os outros alunos chegando ao topo das arvores em segundos, mas claro, usando seus próprios meios de chegara até lá, ou seja, voando como um relâmpago, ninguém se atrevia a tentar impedi-lo e logo foi expulso da escola.

Assim, as matérias foram sendo aplicadas dia a dia, todos os alunos sofreram o peso e a responsabilidade de tentar aprender a fazer coisas para o qual não foram criados e, um a um foram sendo reprovados e os que sobreviveram, ficaram psicologicamente traumatizados, sofrendo as consequências disto.

No final do ano letivo, um lagarto estranho e anormal, que podia nadar, correr e escalar muito bem, além de voar um pouco, foi o único aprovado e recebeu o diploma, sendo considerado apto a enfrentar as mudanças que estavam por vir.

Além dele, não havia sobrado mais ninguém que pudesse ser considerado ao menos normal, nos padrões de suas respectivas raças, haviam sido praticamente destruídos por um sistema louco e insano, criado pela sociedade dos homens e isto, sem mesmo que a tal “Globalização” tivesse chegado efetivamente ao mundo dos animais.

Graças a Deus, os Tatus se recusaram a entrar na escola porque a administração havia se recusado a incluir no currículo a matéria cavar. Eles acharam isto uma discriminação muito grande, se recusando a passar por tamanha humilhação, pois não queriam que seus filhos presenciassem tanta maldade.

Assim, eles continuaram suas vidas agindo normalmente, realizando tudo aquilo para o qual Deus os criou com perfeição e, geração após geração, eles ensinaram aos seus filhos tudo que sabiam sobre a matéria cavar na qual eles sempre foram mestres. Conforme eles iam crescendo via-se claramente que eram alegres e felizes, cada vez mais experts na matéria cavar.

Tempos depois, os Tatus resolveram se juntar às Tartarugas, que eram mestras na arte de se esconder em seus próprios cascos, o que eles também sabiam fazer muito bem e então fundaram uma nova escola, que se tornou um sucesso, pois nela, ninguém era obrigado a aprender a fazer nada para o qual Deus não os tivesse criado.

Aos poucos, a vida voltou ao normal na floresta Amazônica, pois a noticia correu entre os animais sobreviventes e em cada canto surgia uma nova escola, não destinada ensinar matérias diferentes aos animais, mas para aperfeiçoar e desenvolver o que cada raça especifica sabia fazer e nunca mais ouviu se falar na tal “Globalização”. Coisa de bicho homem, mas que quase extinguiu a vida animal da floresta e, o teria feito, se não fossem uns poucos que tiveram coragem de se recusar a se submeter às regras absurdas do tal mundo novo, que queria impor mudanças a eles, sem ao menos querer saber se eles haviam sido criados para isto.

Somos o que somos, não aquilo que querem que sejamos e em nosso próprio beneficio, não podemos admitir que por questões de convenções sociais, por regras criadas pela dita sociedade, tenhamos que fazer aquilo para o qual Deus não nos criou, pois se ele nos fez como somos, certamente tinha muito bons motivos para isto, afinal, somos parte do projeto da criação.

Não somos ninguém para questionar, discriminar, recriminar, discutir ou tentar fazer dos outros aquilo que a dita “sociedade” dos homens diz que eles tem que ser.

Cada um de nós é um universo diferente, uns se parecem, outros não, mas o fato é que no dicionário de Deus, não existem as palavras, orgulho, preconceito ou discriminação, pois em seu coração, mesmo que sejamos todos diferentes uns dos outros, somos iguais, seus filhos e nada mais!


José Araújo 

A VOZ DO CORAÇÃO...



Houve uma época, há muito tempo atrás, eu era um homem grande, forte e saudável e me casei com a mulher de meus sonhos e do nosso amor nasceu uma linda garotinha.
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Minha filha era sempre brilhante e cuidadosa e eu sempre a amei muito, eu a pegava no colo, cantava e dançava em volta do quartinho dela e lhe dizia:”Eu te amo minha garotinha!”.
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Enquanto ela crescia, eu nunca deixei de dizer sempre que podia, “Eu te amo minha garotinha!”, até que em num determinado ponto, quando eu repetia a frase, ela não mais prestava tanta atenção como antes, ficava irritada e me falava:”Papai, eu já não lhe disse que eu não sou mais uma garotinha?”.
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Sempre que ela dizia isto, eu sorria e respondia:
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Mas para mim filha, você vai ser sempre a minha garotinha!.
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A certa altura, minha garotinha, que já não era mais garotinha, foi estudar longe de casa, foi morar sozinha e neste processo ela aprendeu a conhecer a si mesma, a conhecer os homens e suas inúmeras facetas, soube o que era a maldade, a inveja, a ignorância e aprendeu o quanto eu era grande e forte, comparado aos outros homens que cruzaram seu caminho, aprendeu a reconhecer de verdade, o pai que ela tinha e que sempre e a chamava de “Minha garotinha!”.
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Uma das coisas que ela mais valorizou em mim convivendo com outras pessoas, foi a minha capacidade e habilidade de expressar meu amor por ela, pois não importava onde ela estivesse neste nosso enorme país, eu sempre pegava o telefone, ligava para ela só para dizer, “Eu te amo minha garotinha”!
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O tempo passou eu envelheci e então um dia, minha garotinha, que já não era mais uma garotinha, recebeu um telefonema, dizendo que eu havia sido acidentado, estava muito machucado e tinha muito pouco tempo de vida.
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Eu já não podia falar mais e os médicos não tinham certeza de que ao menos eu podia entender as palavras que a mim eram ditas.
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Eu não podia mais sorrir, caminhar, abraçar, dançar ou dizer à minha garotinha, que não mais era uma garotinha que eu a amava.
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Então ela veio até mim para ficar ao meu lado enquanto podia, queria estar ao lado do grande homem, aquele que tinha a maior força do mundo, que era a capacidade de expressar meu amor por ela e dizer o quanto a amava, do meu jeito muito particular, a chamando de minha garotinha.
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Quando ela entrou em meu quarto e me viu ali deitado, eu lhe pareci tão pequeno, frágil, nem de longe lembrava o homem forte que a carrega-la no colo e que nunca se cansou de dizer a ela, “Eu te amo minha garotinha!”.
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Naquele instante eu olhei para ela, tentei falar mas não consegui.
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Minha garotinha que não mais era uma garotinha, sentou-se em minha cama, bem pertinho de mim, enquanto lágrimas escorriam nos olhos e nós dois e ela me abraçou, colocando seus braços em volta de meus ombros debilitados, deitando sua cabeça em meu peito e eu sei, que naquele instante, ela se lembrou de muitas e muitas coisas lindas sobre nós dois.
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Ela se lembrou dos momentos maravilhosos que vivemos juntos e como eu sempre a protegia e adorava, ela já estava sofrendo a angustia e dor de saber da iminência da perda que ela estava para ter, das palavras de amor que sempre a haviam confortado nos melhores e nos piores momentos de sua vida.
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Foi então que com a cabeça encostada em meu peito, ela ouviu bem lá de dentro de mim, as batidas de meu coração, o coração onde a música e as palavras de amor sempre viveram.
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Ele batia compassado, despreocupado com todo os estrago ocorrido no resto de meu corpo e enquanto ela descansava sua cabeça em meu peito, algo mágico aconteceu.
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Minha garotinha ouviu exatamente o que ela precisava ouvir naqueles últimos instantes de minha existência física neste mundo.
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As batidas de meu coração, disseram as palavras que minha boca não mais podia dizer...
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Elas disseram em coro aquilo que sempre foi dito através do som de minha voz, elas disseram devagar e claro como a luz do dia, “Eu te amo, Eu te amo, Eu te amo, Minha garotinha, Minha garotinha, Minha garotinha”...
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Uma sensação de imenso conforto e paz invadiu seu peito e ela se sentiu confortada pelas palavras ditas com a voz de meu coração e foi assim que eu parti deste mundo, rumo a um plano superior, certo de que cumpri na Terra minha missão e que minha garotinha, seria uma pessoa melhor neste mundo, graças ao amor que eu sempre fiz questão de demonstrar e dizer a ela a todo instante e que ela nunca esqueceria as lições que a vida lhe ensinou até o momento de minha partida, onde ela ouviu a voz de meu coração.
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Autor: Jose Araujo
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Dedicatória:
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Este texto é dedicado a todos os amigos e amigas que de alguma forma chegaram até a mim, trazendo consigo e verdadeira luz da amizade e que me ajudam a cada instante de minha vida, com suas palavras de amor, carinho e amizade, pois são elas que fazem com que minha inspiração para escrever sobre o sentimentos humanos, se torne mais apurada a cada dia, para que eu possa com minhas palavras, com minha maneira simples de escrever, chegar ao coração de cada leitor e tocando-o com carinho, deixando nele minha marca pessoal de amor, de carinho, de amizade e compreensão, para todo o sempre.
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Para refletir:
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Não há nada neste mundo que impeça o coração de dizer o que ele quiser, quando existe dentro dele o amor verdadeiro, porque a voz do coração não é física, ela é algo supremo, é algo que supera quaisquer obstáculos e até mesmo desafia a própria razão, simplesmente para fazer com sejam ouvidas de alguma forma três pequenas palavras, que carregam em si o verdadeiro sentido da vida, a nossa razão de viver e estão palavras são, nada mais nada menos que “Eu te amo”.
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Não espere para dizer a alguém “Eu te amo!”, nem tenha receio de dizer que você também precisa ouvir que te digam “Eu te amo!”.
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Se não consegue usar sua voz e falar por algum motivo, demonstre com seu carinho e afeição, dê um abraço caloroso, um beijo afetuoso, dê vazão aos seus sentimentos, deixe que as pessoas saibam que você os ama e que você precisa também saber e sentir que é amado, deixe que as outras pessoas ouçam a voz de seu coração.
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José Araújo

LUZ DO SOL BRASILEIRO...


Acordo, já é manhã, me sinto leve e descansado, parece que minha energia foi recarregada durante a noite, me viro para o lado e vejo você, seu corpo nu, semi descoberto pelos lençóis macios, ainda sinto teu calor, sinto teu toque mágico e sensual acariciando meu peito, meu corpo, me dizendo palavras de amor e de paixão e eu me rendendo ao teu apelo, me rendendo ao chamado da natureza, correspondo teu amor, te beijo suavemente, te faço carinhos despudorados, toco teu peito que reage à ação de minhas mãos, me fazendo te querer mais e mais...

Estou acordado neste instante, mas te ver assim ao meu lado me faz sonhar acordado, me faz sentir e reviver mentalmente nossos momentos de amor e minha sensação de leveza e bem estar, de ter minhas energias recarregadas se devem a você, que me faz feliz em estar ao teu lado e te amando como se minha existência dependesse totalmente de sentir teu corpo de estar dentro de você, de corpo e alma.

Levanto-me, abro a janela, o dia esta lindo e o sol neste instante, entra em nosso quarto, iluminando tua pele e teu corpo neste instante, parece ter sido feito de cetim, com nuances de cores oscilando sob a luz do sol e meu olhar extasiado, não consegue desviar minha atenção de você...

Ah! Como te quero e te amo!

Entre a meia penumbra causada pelas cortinas e os raios do sol que penetram pela janela, como luzes divinas tocando teu corpo e só de te olhar, me fazem delirar, desejando ter você mais uma vez, estar em você, sentir todo o poder de sua existência penetrar em minha alma e me deixando ficar em você, docemente, suavemente, exatamente como quando se toca as pétalas de uma flor, tomando todo o cuidado para sentir a sua maciez, sua textura, mas sem machuca-la de forma alguma.

Inclino-me bem lentamente sobre você, seu rosto agora também semi-tocado pela luz do sol, a faz mais bela ainda, pareces um anjo e beijo tua face suavemente para não perturbar teu sono, mas você parece ter sido tocada em seu mais intimo e profundo sentimento e acorda, com um sorriso que eu gostaria que fosse eternizado em sua face, então nos beijamos, não posso me conter e reiniciamos nosso ritual de amor, agora já totalmente iluminados pelos raios de sol que nos aquece mais ainda enquanto fazemos amor, acompanhados pela luz divina que nos toca através dos raios de um sol bem brasileiro, que além de iluminar nosso amor nesta manha de primavera, faz com que as flores na janela, fiquem ainda mais belas exalando seu perfume que penetra nosso quarto, como se assim, elas quisessem presentear e nos dizer de alguma forma, que para o amor não tem hora, não tem lugar, basta abrir o coração e deixar ele entrar, assim como nós dois o fizemos, sem medo de sofrer, sem medo de viver...


Sonho ou realidade, cada um de nós ao ler este texto, tira suas próprias conclusões, mas na verdade, quem de nós não viveu, ou sonha desesperadamente com um momento assim?

O amor não é só um momento, ele é a essencia da vida e quem não ama nem nunca amou, jamais irá conhecer a verdadeira sensação de extase que é se entregar a quem se ama, se render ao momento, vivendo num instante o infinito...

Autor:Jose Araujo

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

DONA LILI E O PÉ DE ORQUIDEAS...


Manhã de segunda feira, os primeiros raios de sol iluminam a praça da Sé em São Paulo e por toda a praça pode-se ver pessoas sem teto ainda dormindo pelos cantos, pelos bancos, abandonados à sua própria sorte.


Uma grande quantidade de pessoas, que ali vivem, tomam seus banhos e lavam suas roupas nas águas da fonte da praça, onde muitos meninos e meninas sem casa, sem família passam seu tempo nadando a despeito da proibição da polícia.


Alguns sem teto tem uma historia com “h” outros tem estória com “e”, mas um ponto em comum todos eles tem, ou seja a carência afetiva, uma necessidade que talvez para muitos não seja satisfeita.


Entre homens, mulheres e crianças sem teto, que vivem na imensa praça da Sé, muitos passam seu tempo tentando fugir da polícia escondendo-se em lugares inimagináveis para nós transeuntes que pela praça passamos todos os dias.


Vida difícil, vida sofrida, muitas doenças, fome, frio, intempéries das mais diversas, falta de amor, falta de carinho, falta de compreensão, vida difícil até mesmo para levar adiante no meio de tantos bandidos, traficantes e outros tipos de gente de mau caráter que abusam destes pobres.


Existem muitas historias com “h” nas vidas de muitas destas pessoas carentes e em muitos casos, já tiveram antes outras condições de vida, outros padrões e sem sequer saber como, vieram parar ali, naquele purgatório a céu aberto.



Certa vez, conheci uma mendiga muito especial, uma velha senhora, suja, maltrapilha, pés descalços, mas com um olhar que mostrava sua alma, sua essência, sua espiritualidade e eu a conheci quando ia em direção ao Poupa Tempo e ela se dirigiu a mim e me falou com uma voz que penetrou fundo em meu coração:



O Senhor teria um momentinho, por menor que seja para me conceder sua atenção?


Naquele momento eu não tinha outra opção a não ser parar e dar a ela toda a minha atenção.



Ao perceber que eu iria lhe dar minha atenção, ela me olhou bem nos olhos, com um semblante calmo e sereno, apenas esmaecido, escondido pela sujeira e começou a falar:


Caro Senhor, sou hoje uma mendiga, não tenho casa, não tenho família, muitas vezes passo dias sem comer e quando como, são sobras ou as sopas e lanches que algumas almas boas nos trazem aqui nesta praça, mas já tive muito, tive conforto, família, amor e carinho dos meus filhos e marido, mas o destino os levou a todos para sempre, eu entrei em parafuso, perdi a noção da vida e aqui estou lhe pedindo um simples momentinho de sua atenção.



Enquanto boquiaberto eu a ouvia, não pude deixar de me perguntar:


Deus como uma pessoa tão inteligente, que fala tão bem e tem tão bons modos esta aqui, neste lugar?



O que poderia ter feito com que ela chegasse a este ponto, mesmo com a perda da família?


Impossível dizer, só ela poderia dizer, somente ela saberia, bem lá no fundo de seu coração, que motivos a trouxeram a este purgatório de onde poucos escapam com vida em pleno centro da maior Capital do País.



Ela continuou dizendo:


Percebo seu espanto com meus modos e vejo pelos seus olhos que o senhor tem um bom coração e uma alma iluminada, daí meu senhor eu só queria lhe pedir uma coisa muito importante para mim, que neste momento não posso ter.



Ouvi bem o que ela disse e no primeiro momento pensei logo que se tratava de dinheiro, mas disse a ela para continuar.


Até então ela não havia me dito seu nome e foi naquele momento que ela me disse:



Meu nome senhor é Elisabeth e meus sobrenomes são quatro, mas hoje em dia, nada mais representam para mim e sendo assim pode me chamar de Lili, se assim o senhor preferir.


A cada instante eu ficava mais impressionado com ela e mantive o silêncio, enquanto ela seguia em frente explicando seu pedido.



Senhor eu achei numa lata de lixo um pé de orquídeas e ele esta muito fraquinho, quase morrendo e eu já cultivei muitas orquídeas em minha vida e sei muito bem como cuidar delas, mas como o senhor pode ver, não posso nem cuidar de mim mesma, mas eu gostaria muito de salvar o pé de orquídea, o que para mim iria representar muito mais do que qualquer bem material que o senhor pudesse me dar.


Eu só queria que o senhor se pudesse, comprasse ali na Praça João Mendes, na loja de flores, um vasinho de xaxim, uma barrinha de xaxim e um saquinho de terra vegetal com o que eu poderia tratar do pé de orquídea do jeito que eu sei fazer, posso salva-lo, cuidar dele e ainda ter um ultimo prazer na vida, o de ter um pé de orquídea florido em minhas mãos, só meu, para que eu possa alimentar minha alma com sua beleza, com sua delicadeza.



Não pude conter minha emoção e as lágrimas rolaram ali mesmo, em minha concepção não poderia existir no meio daqueles sem teto, ninguem, mas ninguem mesmo, igual a Dna.Lili e naquele momento eu pude sentir a mão de Deus, agindo de uma maneira que muitas vezes não compreendemos, mas que não tem outro intuito a não ser nos ensinar e viver.


Dna. Lili, apesar da aparência física, de suas roupas e do mau cheiro que notadamente vinha de suas roupas molhadas de suor, talvez mesmo até sem terem sido lavadas a meses, tinha uma aura que qualquer pessoa com senso de humanidade conseguiria enxergar, tamanho era seu brilho.



Quase sem poder pronunciar uma palavra audível, pedi a ela que me esperasse enquanto eu iria comprar o que havia pedido.


Sai de lá cabeça baixa, refletindo sobre a razão de nossa existência no mundo e a caminho da loja de flores tive que parar para dar atenção a um cliente que encontrei na rua.



Nesta minha parada, demorei mais do que imaginava, mais que uma hora e meia, mas não tirava Dna.Lili do meu pensamento, rezava para que ela estivesse ainda me esperando,não via a hora de entregar a ela os apetrechos que poderiam salvar seu pé de orquídeas.


Após comprar o que ela havia pedido voltei ao local para entregar a ela e não mais a encontrei, indaguei a várias pessoas do lugar até que um deles me contou que uma meia hora atrás Dna.Lili havia tido um mal estar súbito, caiu e antes de ser levada pelo socorro ela veio a falecer, tendo sido levada já morta, mas o homem que me deu a informação disse que ela quando caiu no chão, ainda segurava com as duas mãos uma plantinha, que ela mantinha encostada em seu peito, como se quisesse protege-la de alguma coisa.



O homem que contou como tudo aconteceu, com certeza não conhecia um pé de orquídea e para ele, aquilo não tinha sentido, mas eu que pude sentir a verdadeira essência de Dna Lili, sei que na verdade ela era um anjo, um anjo muito lindo, que havia vindo à terra, para me mostrar que as coisas mais valiosas estão dentro de nossos corações e a verdadeira beleza esta na alma, não na aparência física da qual nada levamos quando partimos deste mundo.


Sempre que me lembro dela, choro, choro sim, de emoção, por ter sido privilegiado ao receber esta lição de vida, dada por um anjo tão lindo, que desceu dos céus para esta selva de pedras da cidade grande e eu fui abençoado por Deus ao receber sua luz, em plena Praça da Sé, no coração de São Paulo.




Na vida, nem sempre o que vemos é aquilo que deveriamos enxergar, pois em nossa ignorancia, julgamos nossos semelhantes pela aparencia externa, não nos preocupamos em saber como são por dentro, qual a musica que ecoa no ritmo e na cadencia das batidas de seus corações, em nossa descrença na humanidade, julgamos todos por um, mas Deus é quem sabe como e porque ele coloca anjos como Dona Lili em nossos caminhos, pena que na maioria das vezes nem percebemos a presença deles entre nós.




Autor: Jose Araujo

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

VEM COMIGO !...


Mesmo sendo repetitivo, quero te pedir de diversas formas para vir comigo, por onde quer que eu vá, em quaisquer circunstancias, vem comigo...

Vem comigo, vamos caminhar pela estrada da vida, juntinhos, sempre de mãos dadas, sempre bem pertinho um do outro.

Vem, vamos seguir rumo a um lugar, somente para nós dois, somente para a gente se amar, para a gente se entregar um ao outro, de corpo e alma.

Vem sentir o afago da brisa suave das noites de verão, acariciando nossos corpos nus, ardendo de desejo, de amor, de paixão.

Vem sentir o calor emanar de nós, em nossos momentos de amor, apenas na companhia da lua, que nos iluminara, deitados nas areias mornas de uma praia deserta, fazendo destes momentos, nosso mundo de paixão e desejo.

Vem tirar meu fôlego, num beijo alucinado, num abraço suave, fazendo-me sentir teu coração num ritmo acelerado, batendo fortemente junto ao meu peito.

Vem, vem comigo meu amor, vem fazer de mim teu tudo, teu nada, teu bem mais precioso, teu amante apaixonado, teu amigo fiel, teu eterno namorado.

Vem, vem comigo meu amor, vem fazer parte de minha vida, de meu mundo, vem fazer parte do meu futuro, do meu destino.

Vem comigo, amor não deixe o tempo passar, não fique a espera de alguém melhor do que eu, pois quem sabe por pior que eu seja, este alguém melhor nunca venha a chegar.

Vem amor, venha juntar nossas coisas, nossas vidas, nossas amizades, nossos ideais, vamos fazer de nossas vidas uma só.

Vem, vem me aceitar como eu sou, pois eu já te aceitei do jeito que você é desde o dia em que te conheci.

Vem minha vida, vem me ajudar a fazer nosso futuro, construir nossas bases, realizar nossos sonhos.

Vem, vem ficar ao meu lado, onde eu sempre irei compreender que você assim como eu, tem seus sonhos de realização pessoal, que você assim como eu, tem direito a ter sua individualidade respeitada, vem ser respeitada e me respeitar, vem para que eu te reconheça como ser humano, individual, que possui um coração que pode amar ou sofrer tanto quanto o meu.

Vem me reconhecer também, pois preciso saber que você me compreende, exatamente como sou, assim como também preciso saber que você também compreende, que para ser feliz e te amar, eu preciso me sentir livre para voar, pois se você fechar a porta da nossa gaiola, vou definhar até morrer, sem nunca mais ter tido a chance de voar novamente e eu preciso ser livre para amar você.

Vem, vamos deixar a porta da gaiola onde esta nosso ninho sempre aberta, pois se algum de nós voar para longe e depois voltar, será porque o nosso amor é real, puro e verdadeiro e nosso lugar será sempre aqui em nosso cantinho tão lindo e especial, vamos ser livres sempre para voar, porque precisamos ser livres para amar e sermos amados.

Vem, vem comigo, não vamos perder mais nenhum segundo de nossas vidas, nem vamos deixar que no futuro, venhamos a nos arrepender de não ter tido a coragem de ter começado antes.

Vem para mim amor, vem me completar, me realizar, me fazer feliz, tire a minha respiração num beijo apaixonado, fazendo o tempo parar eternizando nosso amor...

Quantos de nós não estamos esperando que um dia apareça alguém que nos diga de coração aberto, uma pequena frase, mas que representa a realização de todos os nossos sonhos de amor, porém, quantos de nós não deixamos de pronuncia-la muitas vezes na vida por receio de ouvir um não, por insegurança e deixamos passar a chance que a vida nos dá de sermos felizes.

É preciso que compreendamos, que em algum lugar neste mundo, existe alguém, que assim como nós, tambem está esperando que alguém lhe diga...

Vem comigo!


Autor: Jose Araujo

MEU CORAÇÃO CONTINUOU BATENDO...


Sempre que ouço a musica tema do filme Titanic,” My heart will go on”, sua imagem toma conta de minha mente e a lembrança de um passado distante me faz viajar no tempo, me faz ir para onde aconteceram os melhores momentos de nossas vidas, são memórias que sobreviveram à passagem dos anos e dos acontecimentos que se sucederam em minha vida e sei que serão perpetuadas em meu coração e as levarei comigo pela eternidade.

Quando estávamos juntos, éramos como duas crianças, corríamos e brincávamos como tal e riamos de tudo que acontecia em nossas vidas, até mesmo quando aconteciam coisas não muito agradáveis, elas deixavam de ter importância, porque nós transformávamos o infortúnio em piadas e o resultado era que geralmente caiamos na gargalhada com as coisas que inventávamos para superar as situações difíceis.

Às vezes estávamos andando pelas calçadas e um de nós tropeçava e o resultado era sempre um só, nossas gargalhadas chamavam a atenção daqueles que passavam por nós e na maioria das vezes, conseguíamos contagiar estas pessoas que se punham a rir conosco, mesmo sem saber exatamente do que estavam rindo, mas o faziam por causa de nossa espontaneidade, de nosso jeito alegre e feliz de viver e a felicidade, assim como a alegria contagia a quem esta à nossa volta nestes momentos de liberdade total de ser e viver.

Um simples passeio no parque para nós era uma verdadeira festa, achávamos sempre algo diferente que a maioria não via, mas nós enxergávamos porque estávamos juntos e éramos como um só.

Era um Ibisco laranja com listras brancas em vez vermelhas, era um cisne branco no lago que tinha a ponta de seu bico na cor preto azulado, nada passava desapercebido por nós, um canto de um sabiá era motivo para pararmos debaixo da arvore onde ele estava pousado e sentarmos lá por um longo tempo, lado a lado como se estivéssemos em transe, não ouvíamos mais nada além do canto do sabiá.

Por outras vezes de manhã rumo ao trabalho, no tumulto do metro de São Paulo, brincávamos de esconder no meio da multidão e quando um de nós achava o outro, fazíamos uma verdadeira e autentica brincadeira de pega-pega e quando alguém pegava o outro nos beijávamos e nos abraçávamos como se não houvessem ninguém na plataforma.

Quantas vezes algumas senhoras de idade ficaram bravas conosco, reclamando de nosso comportamento em público, ou do barulho que a gente fazia com nossas gargalhadas que vinham do fundo de nossas almas, porque éramos felizes e por isto não levávamos em consideração a torcida contra e continuávamos nosso jogo para ganhar.

Me lembro do jeito que você passava as mãos em meu rosto e me dizia que eu parecia um anjo, me beijava a ponta do nariz e sussurrava em meus ouvidos o que queria fazer comigo naquele momento.

Éramos muito felizes, tanto que o tempo parecia não existir para nós, nunca estávamos atrasados para nada, sempre tínhamos tempo para um beijo, um carinho, uma palavra doce que nos acariciava a alma e massageava nossos corações.

Quantas e quantas pessoas achavam que a gente não existia e diziam que éramos de outro planeta, porque ninguém que elas conheciam agia do jeito que nos agíamos, mas era engano deles, éramos muito reais, principalmente um para o outro, desde a primeira vez que nos encontramos.

Nosso primeiro encontro em si já foi uma piada, que nos rendeu boas risadas graças ao nosso espírito, pois se fossem outras pessoas a reação teria sido outra bem diferente.

Eu estava descendo uma escada rolante e você estava à minha frente e eu tinha mania de não segurar no corrimão e naquele dia ela parou de repente e eu desequilibrado, tentei me segurar mas desabei sobre você, por sorte estávamos já no fim da decida e o resultado da queda foi que eu acabei sentado em seu colo e nisto, nos olhamos seriamente por alguns instantes e começamos a rir, sim a rir, mas rir de chorar, eu no seu colo e você me segurando como se segura uma criança colo.

Os seguranças vieram correndo nos ajudar e enquanto eles nos auxiliavam a nos levantar continuávamos rindo e todas as pessoas que haviam parado para ver o que estava acontecendo riam junto conosco, até mesmo os seguranças riram com vontade por causa de nós dois.
São coisas como estas que te enraizaram em meu coração e as lembranças que você deixou, o tempo não apaga, a memória pode até enfraquecer com ele, mas o coração as guardara intactas para sempre, porque nós dois juntos fizemos acontecer conosco tudo que aconteceu e do jeito que aconteceu.

E em pensar que viemos de mundos tão diferentes, de famílias com costumes e educações totalmente diversas, para as pessoas comuns não poderíamos nem sequer ser amigos, pois um não condizia o ambiente de vida do outro, até mesmo o nível social era diferente, mas o que elas não sabiam é que de alguma forma havíamos sido feitos um para o outro e que não importava onde cada um de nós estivesse, um dia, inevitavelmente iríamos nos encontrar e quando isto acontecesse, faríamos o mundo ver e ouvir coisas que a maioria acreditava que não pudesse existir e nós definitivamente o fizemos.

Mas a vida é cheia de surpresas e após anos de alegria de viver e amar livremente, sem preconceitos, sem nos deixarmos ser guiados pelas normas de comportamento da dita sociedade, vivendo nosso amor abertamente, sem dar ouvidos a opiniões contrarias à nossa felicidade a doença veio e você foi partindo lentamente, definhando fisicamente, morrendo aos poucos e me matando aos poucos, até que atravessou a ultima fronteira rumo ao plano superior, mas até em seu ultimo momento de vida nesta terra, você nunca perdeu seu espírito de luz e apesar das dores causadas por sua enfermidade, você sempre conseguia me fazer sorrir, mesmo com o coração sangrando, mas eu o fazia porque você sempre foi irresistível quando o assunto era alto astral.

Quando você partiu eu pensei que partiria junto com você, não podia conceber a vida nesta terra sem sua presença, sua alegria, seu amor, parecia que nada mais tinha importância, que tudo havia perdido aquela cor que só nós enxergávamos quando estávamos juntos.

Tive a impressão de que assim como o seu, meu coração também iria parar de bater naquele momento, mas estava enganado, ele continuou a bater e eu tive que continuar a viver, tive que aprender a superar a dor de sua ausência, tive que caminhar em frente e um dia eu encontrei um novo alguém que me deu amor, carinho, respeito e me valorizou ao máximo me fazendo feliz de uma outra forma, mas amor como o que eu sinto por você, sim, digo sinto porque ainda te amo, não vai acontecer de novo, porque eu nunca deixei nem vou deixar de te amar e sei que muitas pessoas jamais vivenciarão a felicidade que vivemos juntos, porque infelizmente se deixam levar pelas convenções sociais, que as impedem de serem elas mesmas.

Você se foi, mas meu coração continuou batendo em ritmo compassado, devagar e sempre, carregando nele...


Você!


Às vezes a gente perde a presença física da pessoa a quem amamos, porque ela parte para outro plano, mas a vida ganha um novo sentido, porque compreendemos e que a morte não é o fim de nossas lembranças aqui na terra, que só depende de nós, sermos lembrados, ou não, quando tambem tivermos atravessado a ponte, no final de nossa jornada por este plano astral.

Autor: Jose Araujo