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sábado, 15 de setembro de 2007

A TAL DA "GLOBALIZAÇÃO"...




Em meio à floresta amazônica, havia um burburinho enorme entre os animais, pois eles haviam ouvido que um novo mundo iria exigir muito de cada um deles, muito mais do que cada um era capaz de fazer, mesmo sendo muitos bons naquilo para o qual foram criados por Deus.

A todo momento, falava-se de uma tal de “Globalização” e eles estavam muito preocupados, pois ouviram os homens dizerem que se cada um não se adaptasse para atender às novas exigências de capacitação individual, seriam excluídos, simplesmente deixados de lado, sem chances de progredir na vida e serem felizes.

A preocupação entre todos era tanta, que de boca em boca, logo, logo, o mundo dos animais estava em pânico e resolveram se unir e criar uma nova escola para que todos pudessem frequentar, estudar bastante e se formarem obtendo um diploma que certificasse a capacitação de cada um, evitando assim os sofrimentos que iriam ocorrer com o novo mundo que estava para chegar.

Para ficar fácil a administração do currículo, todos os animais deveriam estudar todas as matérias, sem exceção, não deixando ninguém fora das aulas práticas e teóricas em sala de aula.

Claro, a sala de aula dos animais era toda a floresta e assim não havia dificuldade em se ministrar qualquer uma das matérias adotadas no currículo.

Logo nas primeiras aulas, claro, o pato se destacou em natação, alias, ele era muito melhor nisso que seu próprio professor, porém manteve ao longo das aulas uma media razoável em voo por causa de seu peso acima da média e era muito fraco em corrida.

Uma vez que ele era muito lento em corrida, sempre ficava após as aulas para praticar e teve que deixar a natação de lado, para tentar aprender a correr bem. O professor lhe disse que enquanto ele não ficasse realmente bor em corrida, não voltaria a praticar a natação que era a coisa que ele mais gostava na vida.

Assim foi feito, o pobre pato tentou, tentou e tentou, até que seus pés ficaram tão machucados, que nem que ele tentasse, não conseguiria sequer correr para dar impulso e voar, assim, o coitado não mais nadava, não mais corria, nem voava, estava acabado de tanto treinar a fazer aquilo para o qual não foi criaod por Deus.

O coelho, é lógico, era o primeiro da classe em corrida, mas logo teve um colapso nervoso de tanto tentar aprender a nadar bem o suficiente para ser aprovado nos exames finais, pois nem mesmo conseguia média em notas para passar de ano naquela matéria e isto acabou com o pobre bichinho psicologicamente. Ele ficou tão deprimido, que nem mais se levantava do lugar, nem andava, nem corria, nem tentava nadar.

O macaco era um espanto em escalada, tirava dez em todas as aulas, até que o pobre animal desenvolveu uma frustração profunda, pois só tirava zero em voo, desde que seu professor o obrigava a começar do chão ao invés do topo das arvores.

A situação ficou tão séria para o macaco, que foi preciso leva-lo ao consultório da Dra. Jiboia, a maior psicóloga da floresta, pessoa com uma grande capacidade hipnótica, que notando que o pobre não tinha nem mais forças para se defender, deu-lhe um abraço fatal, quebrou todos os seus ossos e o engoliu. Foi o fim do macaco.

No final de sua vida, ele não mais ia às aulas, não subia nas arvores, não mais voava de galho em galho, no que ele era craque, não mais queria andar, afinal, foi proibido de subir nas árvores, coisa que tanto amava fazer e, pelo que se sabe, não é que ele não tinha mais forças para se defender quando a cobra o comeu, o que ele queria mesmo era morrer, pois a vida não tinha mais sentido, ele se considerava um incapacitado para enfrentar as exigências da tal “Globalização”, do mundo novo e exigente que estava para surgir em sua vida e que iria tentar mudá-lo de qualquer forma, sem mesmo perguntar se ele era capaz de fazer coisas para o qual ele não foi criado.

O gavião então, este era um aluno problema, ele foi castigado várias vezes severamente, pois nas aulas de escalada ele superava a todos os outros alunos chegando ao topo das arvores em segundos, mas claro, usando seus próprios meios de chegara até lá, ou seja, voando como um relâmpago, ninguém se atrevia a tentar impedi-lo e logo foi expulso da escola.

Assim, as matérias foram sendo aplicadas dia a dia, todos os alunos sofreram o peso e a responsabilidade de tentar aprender a fazer coisas para o qual não foram criados e, um a um foram sendo reprovados e os que sobreviveram, ficaram psicologicamente traumatizados, sofrendo as consequências disto.

No final do ano letivo, um lagarto estranho e anormal, que podia nadar, correr e escalar muito bem, além de voar um pouco, foi o único aprovado e recebeu o diploma, sendo considerado apto a enfrentar as mudanças que estavam por vir.

Além dele, não havia sobrado mais ninguém que pudesse ser considerado ao menos normal, nos padrões de suas respectivas raças, haviam sido praticamente destruídos por um sistema louco e insano, criado pela sociedade dos homens e isto, sem mesmo que a tal “Globalização” tivesse chegado efetivamente ao mundo dos animais.

Graças a Deus, os Tatus se recusaram a entrar na escola porque a administração havia se recusado a incluir no currículo a matéria cavar. Eles acharam isto uma discriminação muito grande, se recusando a passar por tamanha humilhação, pois não queriam que seus filhos presenciassem tanta maldade.

Assim, eles continuaram suas vidas agindo normalmente, realizando tudo aquilo para o qual Deus os criou com perfeição e, geração após geração, eles ensinaram aos seus filhos tudo que sabiam sobre a matéria cavar na qual eles sempre foram mestres. Conforme eles iam crescendo via-se claramente que eram alegres e felizes, cada vez mais experts na matéria cavar.

Tempos depois, os Tatus resolveram se juntar às Tartarugas, que eram mestras na arte de se esconder em seus próprios cascos, o que eles também sabiam fazer muito bem e então fundaram uma nova escola, que se tornou um sucesso, pois nela, ninguém era obrigado a aprender a fazer nada para o qual Deus não os tivesse criado.

Aos poucos, a vida voltou ao normal na floresta Amazônica, pois a noticia correu entre os animais sobreviventes e em cada canto surgia uma nova escola, não destinada ensinar matérias diferentes aos animais, mas para aperfeiçoar e desenvolver o que cada raça especifica sabia fazer e nunca mais ouviu se falar na tal “Globalização”. Coisa de bicho homem, mas que quase extinguiu a vida animal da floresta e, o teria feito, se não fossem uns poucos que tiveram coragem de se recusar a se submeter às regras absurdas do tal mundo novo, que queria impor mudanças a eles, sem ao menos querer saber se eles haviam sido criados para isto.

Somos o que somos, não aquilo que querem que sejamos e em nosso próprio beneficio, não podemos admitir que por questões de convenções sociais, por regras criadas pela dita sociedade, tenhamos que fazer aquilo para o qual Deus não nos criou, pois se ele nos fez como somos, certamente tinha muito bons motivos para isto, afinal, somos parte do projeto da criação.

Não somos ninguém para questionar, discriminar, recriminar, discutir ou tentar fazer dos outros aquilo que a dita “sociedade” dos homens diz que eles tem que ser.

Cada um de nós é um universo diferente, uns se parecem, outros não, mas o fato é que no dicionário de Deus, não existem as palavras, orgulho, preconceito ou discriminação, pois em seu coração, mesmo que sejamos todos diferentes uns dos outros, somos iguais, seus filhos e nada mais!


José Araújo 

6 comentários:

Juℓi Ribeiro disse...

José:

Lindo texto!
Linda foto!
Adorei...
Para mim a beleza está
nas diferenças.
E você colocou isso muito bem.
Penso que deve existir
troca, partilha e uma grande cumplicidade nos relacionamentos.
Parabéns pelo blog!
Um abraço.

Edson Marques disse...

José Araújo,



Tua criatividade continua impressionante!


Belíssima alegoria, em todos os sentidos!


Abraços, flores, estrelas..

Rosana disse...

José, acho que escolhi o amigo certo rs.....estou adorando o seu blog..parabéns.......
gde beijo pra você...

WILLIAM disse...

lindo se todo mundo fosse igual a vc teriamos um mundo melhor que nao havia preconceitos por isso que eu falo vc e um homem enviado por deus pra vir a terra e ajudar a humanidade vc e um homem de carater inacreditavel por isso que te admiro e adoro muito beijos de sempre seu amigo william

VANDER disse...

QUERIDO AMIGO JOSÉ ARAÚJO EU SOU WANDER QUE NO ORKUT CHAMO-ME O EXECUTOR, COMO SEMPRE ESTOU AGRACIADO COM SEUS TEXTOS, CONTÉUDO DE ÓTIMO QUALIDADE E DE UMA SENSIBILIDADE TÃO INCRÍVEL, QUE SO UMA PESSOALMENTE, DE GRANDE ESPIRITUALIDADE PODER TER E TRANSMITIR, POIS UMA COISA É ESCREVER NAS FRIEZA DAS LINHAS OUTRA COISA, É ESCREVER COM A ALMA, JOSÉ VC ME CONTAGIOU COM ESTE BLOG QUE FIZ QUESTÃO DE ADICIONAR EM MEUS FAVORITOS, PARABÉNS A VC POR TER UM CORAÇÃO TÃODE GRANDE ENGENHOSIDADE E BELEZA, PARABÉNS MESMO!



UM GRANDE ABRAÇO!
WANDER O ETERNO APRENDIZ

VANDER disse...

ADOREI JOSÉ DESDE QUE CONVIDEI VC PARA SER MEU AMIGO, VC SEMPRE ESTÁ ME SURPREENDENDO COM ESTE TALENTO E ESPIRITUALIDADE QUE BEM LHE PARECE, O MUNDO ESTÁ REPLETO DE PESSOAS INSENSÍVEIS E PRECISA DE PESSOAS USADAS COMO VASO NAS MÃOS DE DEUS, PARA QUE ELE TENHA BRILHO E QUE POSSA TEMPERÁ-LO COM O SAL DA VIDA!
É CREIO QUE DEUS DE COLOCOU NESTE MUNDO COM UM PROPÓSITO ESPECIAL, POIS JOSÉ A PALAVRA É UMA SEMENTE E O CORAÇÃO É UM CAMPO FÉRTIL, E DA MANEIRA COMO ELA FOR SEMEADA E QUE ESTE CAMPO ESTEJA ARADO E PREPARADO ESTE SEMENTE PODE SE TRANSFORMAR EM VIDA, PARABÉNS MEU QUERIDO JOSÉ, PÉROLA PRECIOSA, JÓIA RARA QUE DEUS ENVIOU PARA BRILHAR NESTE MUNDO E ILUMINAR AS TREVAS DA IGNORÂNCIA! UM GRANDE E PODEROSO ABRAÇO!





WANDER