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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

MEU CORAÇÃO CONTINUOU BATENDO...


Sempre que ouço a musica tema do filme Titanic,” My heart will go on”, sua imagem toma conta de minha mente e a lembrança de um passado distante me faz viajar no tempo, me faz ir para onde aconteceram os melhores momentos de nossas vidas, são memórias que sobreviveram à passagem dos anos e dos acontecimentos que se sucederam em minha vida e sei que serão perpetuadas em meu coração e as levarei comigo pela eternidade.

Quando estávamos juntos, éramos como duas crianças, corríamos e brincávamos como tal e riamos de tudo que acontecia em nossas vidas, até mesmo quando aconteciam coisas não muito agradáveis, elas deixavam de ter importância, porque nós transformávamos o infortúnio em piadas e o resultado era que geralmente caiamos na gargalhada com as coisas que inventávamos para superar as situações difíceis.

Às vezes estávamos andando pelas calçadas e um de nós tropeçava e o resultado era sempre um só, nossas gargalhadas chamavam a atenção daqueles que passavam por nós e na maioria das vezes, conseguíamos contagiar estas pessoas que se punham a rir conosco, mesmo sem saber exatamente do que estavam rindo, mas o faziam por causa de nossa espontaneidade, de nosso jeito alegre e feliz de viver e a felicidade, assim como a alegria contagia a quem esta à nossa volta nestes momentos de liberdade total de ser e viver.

Um simples passeio no parque para nós era uma verdadeira festa, achávamos sempre algo diferente que a maioria não via, mas nós enxergávamos porque estávamos juntos e éramos como um só.

Era um Ibisco laranja com listras brancas em vez vermelhas, era um cisne branco no lago que tinha a ponta de seu bico na cor preto azulado, nada passava desapercebido por nós, um canto de um sabiá era motivo para pararmos debaixo da arvore onde ele estava pousado e sentarmos lá por um longo tempo, lado a lado como se estivéssemos em transe, não ouvíamos mais nada além do canto do sabiá.

Por outras vezes de manhã rumo ao trabalho, no tumulto do metro de São Paulo, brincávamos de esconder no meio da multidão e quando um de nós achava o outro, fazíamos uma verdadeira e autentica brincadeira de pega-pega e quando alguém pegava o outro nos beijávamos e nos abraçávamos como se não houvessem ninguém na plataforma.

Quantas vezes algumas senhoras de idade ficaram bravas conosco, reclamando de nosso comportamento em público, ou do barulho que a gente fazia com nossas gargalhadas que vinham do fundo de nossas almas, porque éramos felizes e por isto não levávamos em consideração a torcida contra e continuávamos nosso jogo para ganhar.

Me lembro do jeito que você passava as mãos em meu rosto e me dizia que eu parecia um anjo, me beijava a ponta do nariz e sussurrava em meus ouvidos o que queria fazer comigo naquele momento.

Éramos muito felizes, tanto que o tempo parecia não existir para nós, nunca estávamos atrasados para nada, sempre tínhamos tempo para um beijo, um carinho, uma palavra doce que nos acariciava a alma e massageava nossos corações.

Quantas e quantas pessoas achavam que a gente não existia e diziam que éramos de outro planeta, porque ninguém que elas conheciam agia do jeito que nos agíamos, mas era engano deles, éramos muito reais, principalmente um para o outro, desde a primeira vez que nos encontramos.

Nosso primeiro encontro em si já foi uma piada, que nos rendeu boas risadas graças ao nosso espírito, pois se fossem outras pessoas a reação teria sido outra bem diferente.

Eu estava descendo uma escada rolante e você estava à minha frente e eu tinha mania de não segurar no corrimão e naquele dia ela parou de repente e eu desequilibrado, tentei me segurar mas desabei sobre você, por sorte estávamos já no fim da decida e o resultado da queda foi que eu acabei sentado em seu colo e nisto, nos olhamos seriamente por alguns instantes e começamos a rir, sim a rir, mas rir de chorar, eu no seu colo e você me segurando como se segura uma criança colo.

Os seguranças vieram correndo nos ajudar e enquanto eles nos auxiliavam a nos levantar continuávamos rindo e todas as pessoas que haviam parado para ver o que estava acontecendo riam junto conosco, até mesmo os seguranças riram com vontade por causa de nós dois.
São coisas como estas que te enraizaram em meu coração e as lembranças que você deixou, o tempo não apaga, a memória pode até enfraquecer com ele, mas o coração as guardara intactas para sempre, porque nós dois juntos fizemos acontecer conosco tudo que aconteceu e do jeito que aconteceu.

E em pensar que viemos de mundos tão diferentes, de famílias com costumes e educações totalmente diversas, para as pessoas comuns não poderíamos nem sequer ser amigos, pois um não condizia o ambiente de vida do outro, até mesmo o nível social era diferente, mas o que elas não sabiam é que de alguma forma havíamos sido feitos um para o outro e que não importava onde cada um de nós estivesse, um dia, inevitavelmente iríamos nos encontrar e quando isto acontecesse, faríamos o mundo ver e ouvir coisas que a maioria acreditava que não pudesse existir e nós definitivamente o fizemos.

Mas a vida é cheia de surpresas e após anos de alegria de viver e amar livremente, sem preconceitos, sem nos deixarmos ser guiados pelas normas de comportamento da dita sociedade, vivendo nosso amor abertamente, sem dar ouvidos a opiniões contrarias à nossa felicidade a doença veio e você foi partindo lentamente, definhando fisicamente, morrendo aos poucos e me matando aos poucos, até que atravessou a ultima fronteira rumo ao plano superior, mas até em seu ultimo momento de vida nesta terra, você nunca perdeu seu espírito de luz e apesar das dores causadas por sua enfermidade, você sempre conseguia me fazer sorrir, mesmo com o coração sangrando, mas eu o fazia porque você sempre foi irresistível quando o assunto era alto astral.

Quando você partiu eu pensei que partiria junto com você, não podia conceber a vida nesta terra sem sua presença, sua alegria, seu amor, parecia que nada mais tinha importância, que tudo havia perdido aquela cor que só nós enxergávamos quando estávamos juntos.

Tive a impressão de que assim como o seu, meu coração também iria parar de bater naquele momento, mas estava enganado, ele continuou a bater e eu tive que continuar a viver, tive que aprender a superar a dor de sua ausência, tive que caminhar em frente e um dia eu encontrei um novo alguém que me deu amor, carinho, respeito e me valorizou ao máximo me fazendo feliz de uma outra forma, mas amor como o que eu sinto por você, sim, digo sinto porque ainda te amo, não vai acontecer de novo, porque eu nunca deixei nem vou deixar de te amar e sei que muitas pessoas jamais vivenciarão a felicidade que vivemos juntos, porque infelizmente se deixam levar pelas convenções sociais, que as impedem de serem elas mesmas.

Você se foi, mas meu coração continuou batendo em ritmo compassado, devagar e sempre, carregando nele...


Você!


Às vezes a gente perde a presença física da pessoa a quem amamos, porque ela parte para outro plano, mas a vida ganha um novo sentido, porque compreendemos e que a morte não é o fim de nossas lembranças aqui na terra, que só depende de nós, sermos lembrados, ou não, quando tambem tivermos atravessado a ponte, no final de nossa jornada por este plano astral.

Autor: Jose Araujo

3 comentários:

Anônimo disse...

lindo sou eu o adoro h peludos esto passandpo aqui pra diser que adorei essa pagina sua eque deus sempre ilumine seu caminh por onde vc passar pois vc e um homen divino e continue sempre desse jeito mas lindo em perfeiçao beijos de seu amigo william

Carmen Lúcia disse...

Lendo tudo isso vejo de onde vem sua beleza...de seu INTERIOR!
Concordo com tudo e fico feliz por saber que existe alguém como você no mundo que "ainda se preocupa" com seu semelhante e sua condição.
Para meditar:No banquete da vida o Amor é o pão e a Amizade é o vinho.
Bjokas,te adoro de coração.

Ne disse...

lindo...lindo e lindo...sem mais comentários...adoro seu trabalho..!!!..