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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

ENIGMAS DO AMOR...


Hoje há algo estranho dentro de mim, sinto como se faltasse algo que me é necessário já faz muito tempo, mas só agora me dei conta disto e não consigo descobrir exatamente o que vem a ser.

São 09:00s da manhã, acabei de me levantar, tomei um banho, preparei um Iogurte batido com morangos e ao invés de sentar me à mesa para o café da manhã, resolvi ir para a varanda sentar na cadeira de madeira e ficar olhando o mar, apreciando o movimento das ondas e a linha do horizonte, perfeitamente nítida entre o verde das águas do mar e o azul de um céu totalmente limpo e iluminado pelo sol que aquece as areias da praia, fazendo com que seus raios as façam parecer um imenso tapete branco ao longo de toda sua extensão.

É definitivamente uma visão paradisíaca, não há nada no momento com que eu tenha que me preocupar, não há compromissos a cumprir, nada com que eu possa me estressar, mas sentado ali, vendo toda esta beleza ao som das gaivotas, o sentimento de que me falta alguma coisa é insistente e isto definitivamente me incomoda.

Decido não pensar mais nisto, procuro concentrar minha atenção no que esta à minha volta, no que acontece ao longo da praia e de repente sinto um cheiro familiar, mas incomum para uma varanda de casa de praia, onde o cheiro deveria prevalecer seria o do mar tomando conta de nossos sentidos, mas não, o cheiro que parece entrar em minha alma é o de Orégano, exótico, delicioso, envolvente, que parece querer tirar minha atenção do ambiente ao meu redor.

Assim como ele veio, ele se foi e volto a sentir o cheiro da brisa marinha que me faz bem, me acalma profundamente, me faz sentir novamente parte da natureza, do meio ambiente, em comunhão com o cosmos, parte integrante do universo, mas o sentimento de que me falta algo, ainda me incomoda.

Olho para um determinado ponto da praia e vejo que um jovem casal montou uma barraca e estão tomando banho no mar, alegres e sorridentes, entre beijos e abraços, numa alegria que de alguma forma mexe comigo.

Após algum tempo dentro da água, eles resolvem sair e dirigem-se para a barraca, abraçados e de repente o rapaz pega a moça no colo e a leva para dentro da barraca, fechando o zíper assim que entram nela.

Esta cena me toca e sinto uma curiosidade imensa de ver o que acontece lá dentro toma conta de mim, mas tento não pensar nisto, para não lembrar que já faz muito tempo que não sinto o calor de um corpo colado ao meu, que não tenho tido a chance de amar alguém, que já quase esqueci o que significa, querer desesperadamente fazer amor com alguém, sentindo a cada toque um arrepio e entre gemidos de prazer, sentir o coração bater mais rápido, me fazendo perder o fôlego de tanto desejo.

É claro que sei exatamente o que estão fazendo lá dentro penso comigo e tento apagar estes pensamentos de minha mente, mas de repente, mais uma vez sinto o cheiro envolvente de Orégano no ar, penso até que estou ficando maluco, perdendo o senso ou coisa parecida, mas gosto do cheiro que toma conta de meu ser, que insiste em se fazer presente sem ter a menor condição de ser real, pois não tenho nada em casa com esta erva e não há nenhum pé de Orégano a quilômetros de distancia.

Já como que enfeitiçado pelo aroma, me entrego a apreciar o cheiro forte mas extremamente agradável de Orégano e fechando os olhos recosto minha cabeça na cadeira e me deixo ser levado pelas ondas da imaginação.

Como que por encanto, imagens vão surgindo em minha memória e as lembranças vão retornado, trazendo você de volta do passado e com você também seu sorriso, sua força de atração e sensualidade, sua alegria de viver, seu poder de decidir o que você realmente queria da vida, as coisas que queria ter e sempre conseguia com sua auto confiança a toda prova, tanto que me fiz de difícil no começo, mas você me ganhou e me deu todo o amor e carinho que sempre sonhei, proporcionando-me pelo tempo que vivemos juntos os melhores momentos de minha vida, você me amou como ninguém jamais o fez e provavelmente nunca o fará, de uma forma que me fazia entrar em erupção a sentir de sua parte um simples olhar, um olhar que me fazia queimar em vida, me fazia entrar em ebulição, sentimentos e anseios que só eram saciados quando nos entregávamos um ao outro de corpo e alma.

Então, junto com as imagens e lembranças de momentos especiais lá estava também o cheiro inconfundível de Orégano, aquele condimento que você usava quando decidia que ia fazer algo para a gente comer e quando me dava por conta, você já estava com a bandeja na cama com algo delicioso, preparado por você com todo carinho e com toda a sua arte culinária que você herdou de seus antepassados Italianos e mal acabávamos de comer, fazíamos amor, envoltos no cheiro de Orégano, que se misturava com o cheiro de amor que emanava de nossos corpos e transcendia o ambiente, fazendo parte de nós mesmos.

Momentos muito especiais que estavam adormecidos em minha mente voltaram com a força de um vulcão e as lavas da paixão e desejo me fazem vibrar, abro meus olhos lentamente, procuro na orla uma minúscula possibilidade de não estar sonhando, de você estar ainda em minha vida, ao meu lado, de estar me fazendo sentir que vale a pena viver.

Porém pouca mudança houve em tudo ao meu redor enquanto estava de olhos fechados, o sol subiu mais um pouco, o calor aumentou, há mais pessoas ao longo da praia o que fez com que o casal da barraca fosse embora, deixando para trás um turbilhão de vozes e risos e gritos de alegria das crianças que brincam na areia, indo procurar um lugar mais discreto para ficarem juntos, de um jeito que eu sei muito bem como eles gostariam de estar.

Algumas gaivotas sobrevoam a praia já cheia de gente e não se atrevem a pousar, mas não desistem de fazer suas revoadas periódicas, quase como se estivessem querendo dizer a todos que a praia é delas que os serem humanos não passam de intrusos.

Insisto na procura, mas não vejo sequer traços de sua presença, de suas coisas, de tudo que representava você, nada, absolutamente nada e agora mais do que nunca, sei exatamente o que é aquele sentimento de falta que tem me incomodado a tempos, agora sei o porque do vazio que sempre pareceu estar em meu coração, da minha incapacidade de preenche-lo, para acabar com este meu mal estar constante e mais do que tudo agora entendo o porque do cheiro persistente de Orégano no ar.

Tudo muda na vida, tudo passa com o tempo, mas existem algumas coisas que nos acompanham pela eternidade, coisas que se enraízam em nossas almas e que se tornam pontos de referencia para nossos mais íntimos anseios e desejos, assim, mesmo que saibamos que muitas coisas não voltam, que não podem ser reprisadas em nossas vidas as guardamos lá, bem no fundinho de nossos corações, na esperança de sermos felizes novamente.

Levanto-me da cadeira, resolvo que preciso me exercitar, que preciso mudar meu rumo, que a vida continua e que preciso seguir em frente, continuar minha caminhada e vou andar ao longo da praia, mas no meu caminho, por ironia do destino, um novo olhar se esbarra com o meu e não sei porque, instantaneamente sinto aquele cheiro de novo, o cheiro de Orégano no ar...

Autor: Jose Araujo

Um comentário:

Edson Marques disse...

Belíssimo texto!


No fundo, no fundo - e felizmente - a Vida é uma enorme barraca, com o ziper aberto...



Abraços, flores, estrelas..





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