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sábado, 15 de setembro de 2007

A VOZ DO CORAÇÃO...



Houve uma época, há muito tempo atrás, eu era um homem grande, forte e saudável e me casei com a mulher de meus sonhos e do nosso amor nasceu uma linda garotinha.
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Minha filha era sempre brilhante e cuidadosa e eu sempre a amei muito, eu a pegava no colo, cantava e dançava em volta do quartinho dela e lhe dizia:”Eu te amo minha garotinha!”.
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Enquanto ela crescia, eu nunca deixei de dizer sempre que podia, “Eu te amo minha garotinha!”, até que em num determinado ponto, quando eu repetia a frase, ela não mais prestava tanta atenção como antes, ficava irritada e me falava:”Papai, eu já não lhe disse que eu não sou mais uma garotinha?”.
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Sempre que ela dizia isto, eu sorria e respondia:
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Mas para mim filha, você vai ser sempre a minha garotinha!.
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A certa altura, minha garotinha, que já não era mais garotinha, foi estudar longe de casa, foi morar sozinha e neste processo ela aprendeu a conhecer a si mesma, a conhecer os homens e suas inúmeras facetas, soube o que era a maldade, a inveja, a ignorância e aprendeu o quanto eu era grande e forte, comparado aos outros homens que cruzaram seu caminho, aprendeu a reconhecer de verdade, o pai que ela tinha e que sempre e a chamava de “Minha garotinha!”.
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Uma das coisas que ela mais valorizou em mim convivendo com outras pessoas, foi a minha capacidade e habilidade de expressar meu amor por ela, pois não importava onde ela estivesse neste nosso enorme país, eu sempre pegava o telefone, ligava para ela só para dizer, “Eu te amo minha garotinha”!
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O tempo passou eu envelheci e então um dia, minha garotinha, que já não era mais uma garotinha, recebeu um telefonema, dizendo que eu havia sido acidentado, estava muito machucado e tinha muito pouco tempo de vida.
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Eu já não podia falar mais e os médicos não tinham certeza de que ao menos eu podia entender as palavras que a mim eram ditas.
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Eu não podia mais sorrir, caminhar, abraçar, dançar ou dizer à minha garotinha, que não mais era uma garotinha que eu a amava.
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Então ela veio até mim para ficar ao meu lado enquanto podia, queria estar ao lado do grande homem, aquele que tinha a maior força do mundo, que era a capacidade de expressar meu amor por ela e dizer o quanto a amava, do meu jeito muito particular, a chamando de minha garotinha.
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Quando ela entrou em meu quarto e me viu ali deitado, eu lhe pareci tão pequeno, frágil, nem de longe lembrava o homem forte que a carrega-la no colo e que nunca se cansou de dizer a ela, “Eu te amo minha garotinha!”.
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Naquele instante eu olhei para ela, tentei falar mas não consegui.
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Minha garotinha que não mais era uma garotinha, sentou-se em minha cama, bem pertinho de mim, enquanto lágrimas escorriam nos olhos e nós dois e ela me abraçou, colocando seus braços em volta de meus ombros debilitados, deitando sua cabeça em meu peito e eu sei, que naquele instante, ela se lembrou de muitas e muitas coisas lindas sobre nós dois.
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Ela se lembrou dos momentos maravilhosos que vivemos juntos e como eu sempre a protegia e adorava, ela já estava sofrendo a angustia e dor de saber da iminência da perda que ela estava para ter, das palavras de amor que sempre a haviam confortado nos melhores e nos piores momentos de sua vida.
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Foi então que com a cabeça encostada em meu peito, ela ouviu bem lá de dentro de mim, as batidas de meu coração, o coração onde a música e as palavras de amor sempre viveram.
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Ele batia compassado, despreocupado com todo os estrago ocorrido no resto de meu corpo e enquanto ela descansava sua cabeça em meu peito, algo mágico aconteceu.
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Minha garotinha ouviu exatamente o que ela precisava ouvir naqueles últimos instantes de minha existência física neste mundo.
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As batidas de meu coração, disseram as palavras que minha boca não mais podia dizer...
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Elas disseram em coro aquilo que sempre foi dito através do som de minha voz, elas disseram devagar e claro como a luz do dia, “Eu te amo, Eu te amo, Eu te amo, Minha garotinha, Minha garotinha, Minha garotinha”...
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Uma sensação de imenso conforto e paz invadiu seu peito e ela se sentiu confortada pelas palavras ditas com a voz de meu coração e foi assim que eu parti deste mundo, rumo a um plano superior, certo de que cumpri na Terra minha missão e que minha garotinha, seria uma pessoa melhor neste mundo, graças ao amor que eu sempre fiz questão de demonstrar e dizer a ela a todo instante e que ela nunca esqueceria as lições que a vida lhe ensinou até o momento de minha partida, onde ela ouviu a voz de meu coração.
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Autor: Jose Araujo
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Dedicatória:
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Este texto é dedicado a todos os amigos e amigas que de alguma forma chegaram até a mim, trazendo consigo e verdadeira luz da amizade e que me ajudam a cada instante de minha vida, com suas palavras de amor, carinho e amizade, pois são elas que fazem com que minha inspiração para escrever sobre o sentimentos humanos, se torne mais apurada a cada dia, para que eu possa com minhas palavras, com minha maneira simples de escrever, chegar ao coração de cada leitor e tocando-o com carinho, deixando nele minha marca pessoal de amor, de carinho, de amizade e compreensão, para todo o sempre.
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Para refletir:
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Não há nada neste mundo que impeça o coração de dizer o que ele quiser, quando existe dentro dele o amor verdadeiro, porque a voz do coração não é física, ela é algo supremo, é algo que supera quaisquer obstáculos e até mesmo desafia a própria razão, simplesmente para fazer com sejam ouvidas de alguma forma três pequenas palavras, que carregam em si o verdadeiro sentido da vida, a nossa razão de viver e estão palavras são, nada mais nada menos que “Eu te amo”.
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Não espere para dizer a alguém “Eu te amo!”, nem tenha receio de dizer que você também precisa ouvir que te digam “Eu te amo!”.
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Se não consegue usar sua voz e falar por algum motivo, demonstre com seu carinho e afeição, dê um abraço caloroso, um beijo afetuoso, dê vazão aos seus sentimentos, deixe que as pessoas saibam que você os ama e que você precisa também saber e sentir que é amado, deixe que as outras pessoas ouçam a voz de seu coração.
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José Araújo

Um comentário:

lucila disse...

Jose você escreve com o coração!pode-se escrever com o coração?
Estou apaixonada pelos seus textos...
Comentar a obra de um artista;pra mim impossivel Deus te abençoe Lucila