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sábado, 31 de janeiro de 2009

O ESTRANHO DENTRO DE NÓS...



O céu azul, totalmente limpo, sem uma nuvem sequer, prometia mais um dia de verão escaldante no litoral paulista. A praia já tinha muitos banhistas caminhando na areia naquele horário da manhã. Alguns mais afoitos que passavam por nós, já tinham ido até a estátua de Iemanjá na Cidade Ocean e estavam voltando. Uma caminhada e tanto a se percorrer. Como ficávamos todos os anos no mesmo apartamento, conhecíamos muitos moradores da Vila Guilhermina na Praia Grande, e às vezes, quando estávamos caminhando pela praia, as pessoas paravam um pouco para descansar e muito orgulhosas do feito, diziam até onde tinham ido na caminhada matinal. Era muito cedo quando resolvemos ir para a beira do mar com uma turma de amigos. Aproveitando os poucos dias de férias juntos, nós não queríamos perder nem um segundo sequer. Passamos horas de muita descontração, sentados nas cadeiras embaixo dos guarda sóis, tomando água de coco gelado, trocando ideias, sentindo a brisa do mar e ouvindo o barulho das ondas a se quebrar. Foi uma manhã muito agradável para todos nós. Quando o sol já estava a pino, resolvemos voltar para o apartamento onde estávamos e almoçar tranquilos. Depois de uma boa soneca, que, aliás, era de lei todos os dias depois do almoço, resolvemos voltar para a praia e aproveitar tudo que tivéssemos direito até o sol se por.
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No caminho, brincávamos uns com os outros descontraidamente, quando eu percebi um mendigo vindo em nossa direção. Ele andava na rua puxando um carrinho daqueles que algumas pessoas usam para recolher objetos jogados no lixo. Ele era feito de madeira, apoiado sobre duas rodas de bicicleta. Fiquei imaginando como aquelas rodas tão frágeis aguentavam tanto peso. Observei que havia nele uma quantidade imensa de tralhas que para pessoas comuns não valem absolutamente nada. Mas para aquele homem, elas deviam representar o seu ganha pão. Meus amigos ao avistarem o pobre homem, cada um à sua maneira fez uma expressão de desgosto por sua aparência. Sem ao menos pensar no que estavam por fazer, a maioria deles preferiu atravessar a rua, já que ele estava vindo em nossa direção, bem ao lado da calçada por onde estávamos caminhando. Fui literalmente puxado por um deles. Mesmo sentindo dentro de mim uma sensação estranha de desgosto por aquele ato, acabei cedendo e os segui para o outro lado. O homem deveria ter uns sessenta anos ou mais e seus cabelos brancos, amarelados pelo tempo, estavam desalinhados e sujos. As roupas multicoloridas que ele estava vestindo, provavelmente, doações feitas por pessoas diferentes, em seu conjunto, me fizeram lembrar as obras de Gaudi.
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As cores vibrantes de cada peça, contrastando com sua aparência física mal cuidada, faziam dele uma imagem não muito agradável de se ver. A expressão que havia em seu rosto, puxando aquele carrinho como se fosse um animal atrelado a uma carroça, era de alguém que tinha raiva até mesmo do ar que respirava. Enquanto caminhávamos na direção contraria à dele, já na outra calçada, não pude tirar meus olhos daquele pobre homem. De alguma forma, a situação em que ele se encontrava na vida me incomodava demais. Ouvindo as piadinhas de mau gosto feitas pelos meus amigos a respeito dele, eu estava me sentindo mal. Era de um jeito que eu nunca havia me sentido na vida. Quando ele estava cruzando conosco do outro lado da rua, a calçada ao lado de onde ele estava passando estava completamente vazia. Todas as pessoas que estavam indo ou vindo da praia caminhando por ela, haviam se desviado para o outro lado. Exatamente como eu e meus amigos. Ao me dar conta do que estava acontecendo, eu parei e fiquei observando o jeito dele andar. Parecia que ele não via nada à sua frente. Em seu rosto estava estampada uma dor muito profunda. Uma tristeza de tocar o coração. Ele não estava dirigindo seu olhar a nenhum ponto em específico. Era como se seus olhos estivessem vidrados. Como se ele não visse nada à sua frente.
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Apenas caminhava na direção do lugar para onde deveria ir, que por certo, deveria ser o mesmo de todos os dias. Foi o que pensei. Meus amigos já iam bem à minha frente e nem deram pela minha falta no meio do grupo. Estavam rindo e fazendo chacotas sobre o pobre coitado. Resolvi seguir em frente e me juntar a eles. Andei alguns passos sem olhar para trás. De repente, ouvi um barulho enorme e me virei rapidamente. O pobre homem havia tropeçado em alguma coisa, e ao cair, seu carrinho virou espalhando todas as coisas que estavam nele no meio da rua. Com dificuldade ele se levantou, colocou com muito esforço o carrinho em pé, e começou a juntar seus preciosos achados, espalhados pelo chão. Tive a impressão de que suas costas deviam doer muito. Eu percebi. Ao abaixar-se para apanhar algum objeto, ele colocava as mãos nelas, com uma expressão de dor. A estas alturas, muitos transeuntes que passavam pelo lugar apenas desviavam-se para a outra calçada como todos os outros, e os que não o faziam, passavam direto por onde ele procurava desesperadamente recolher seus objetos. Nem ao menos olhavam em sua direção. Era como se ele não existisse. Como se ele não estivesse ali na frente de toda aquela gente, passando por aqueles maus momentos. Ninguém. Absolutamente ninguém se propôs a ajuda-lo.
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Aquilo mexeu comigo. Eu nunca pensei que um dia eu sentiria algo parecido. Olhei para a direção de onde se encontravam meus amigos e eles estavam me chamando para seguir com eles. Um deles gritou de longe para que eu deixasse de lado aquele homem. Que ele iria se virar sozinho, ou algum trouxa iria aparecer para ajuda-lo. Uma revolta foi crescendo dentro de meu peito. Vendo aquela situação pela qual ele passava, relembrando aquele rosto sofrido e com aparência de odiar a própria vida, eu não pude tomar outra decisão. A despeito dos assovios e piadinhas de meus amigos, dos olhares incrédulos das pessoas que passavam pelo local, me aproximei de onde ele estava, e me abaixei para ajuda-lo. Quando ele percebeu minha presença, levantou a cabeça segurando dois objetos que tinha apanhado no chão. Quase rosnando me disse para ir embora. Que não precisava da minha ajuda. Um tanto assustado, olhei em seus olhos e por um momento, eu senti medo de que ele os atirasse em mim. Ele me olhava com tanta fúria, que eu cheguei a estremecer. Aquela sensação de receio durou pouco dentro de mim. Decidido, eu me abaixei, apanhei alguns objetos e comecei a recoloca-los no carrinho.
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Atônito com minha atitude, ele balançou a cabeça como se achasse que eu estava louco ou coisa assim. Sem dizer mais nada, mesmo contrariado, ele também começou a apanhar outros objetos e coloca-los do carrinho. Em pouco tempo, nós dois havíamos juntado tudo que havia caído. Quando acabamos, eu achei que ele fosse simplesmente virar as costas e ir embora. Mais uma vez na vida, eu fiz um julgamento precipitado. O velho homem virou-se para mim, apoiou-se no carrinho e fechou os olhos, como se estivesse sentindo uma tontura ao ter levantado bruscamente após apanhar um objeto que teimou em cair de novo. Quando os abriu novamente, ele me olhou bem dentro dos olhos e com uma voz rouca e cansada, ele me agradeceu com uma única palavra. Obrigado. Surpreso por receber aquele agradecimento, eu simplesmente sorri. Disse que não havia sido nada e que foi um prazer poder ajudar. Tremulo, ele colocou a mão direita em meu ombro. Sua face se iluminou com um sorriso lindo e meigo, que naquele momento pareceu ter literalmente lavado de seu rosto aquela expressão de dor, de tristeza e rancor até pelo ar que respirava. Ele ficou com a mão em meu ombro algum tempo. Sorrindo em olhando em meus olhos. Lágrimas rolaram naquele instante, dos olhos dele, e dos meus. Foi um momento emocionante que uniu dois seres humanos, da maneira como deve ser.
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Pelo amor. Pela solidariedade. Pelo prazer de fazer o bem sem olhar a quem. Por uns poucos instantes, nosso mundo foi um só. Nossas metas eram as mesmas, e juntos, sem as barreiras do orgulho, do preconceito e da discriminação, nos unimos pela nossa essência humana. Aquela que nasce conosco quando aqui chegamos, mas é corrompida pela dita sociedade. Varias pessoas que passavam por nós, olhavam para aquela cena como se não acreditassem que eu pudesse deixar aquele mendigo me tocar daquele jeito. Aquilo antes poderia ter me incomodado, mas naquele momento não mais. O que havia dentro de mim era algo que até então eu desconhecia, mas aquela sensação, sem dúvida nenhuma estava me fazendo muito bem. Ele retirou a mão de meu ombro, estendeu-a em minha direção para que eu a apertasse. Sem hesitar eu correspondi. O que aconteceu naquele instante de minha vida foi o aperto de mão mais sincero e mais verdadeiro que eu já tinha recebido. Ele se virou, caminhou até seu carrinho cheio de tralhas, e seguiu seu caminho. Pensei que ele fosse ir embora sem olhar para trás. Mais uma vez eu me enganei. Depois de caminhar uma boa distancia, ele deu uma parada e virou-se para acenar com a mão. Com o coração mais leve do que nunca em minha vida, sentindo uma paz que eu nunca senti, eu também acenei e sorri. Em uma das travessas ele virou uma esquina, e desapareceu. Não sei por que, mas tive uma vontade imensa de vê-lo mais uma vez. Andei em direção à esquina em que ele havia virado, mas quando olhei ao longo da rua onde ele entrou, misteriosamente ele havia desaparecido. Um tanto chateado e confuso com aquilo, eu retomei meu caminho.
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Meus amigos envergonhados por eu ter parado para ajudar o velhinho, já tinham ido embora para a praia. A Rua Haiti voltou ao normal. Nas calçadas, dos dois lados da rua, havia pessoas indo de lá para cá. Não sobrou nem sinal do que havia acontecido há bem poucos minutos atrás. Enquanto eu caminhava, relembrei de mil outras situações que aconteceram antes em minha vida, onde eu poderia ter ajudado, mas não o fiz. Por orgulho, por preconceito, por vergonha de me expor, mas principalmente, por achar que o mais importante era o que as outras pessoas iriam pensar de mim. Que coisa estúpida. Eu pensei. Leve como uma pluma, eu caminhei em direção à praia. Ao chegar lá, fui procurar meus amigos no lugar de sempre, mas não os encontrei. Lembrei-me de procurar no quiosque que ficava quase em frente ao supermercado Beija-flor. O lugar onde eles adoravam tomar uma cervejinha e comer peixe frito e camarão. Foi lá que os encontrei. Passamos o resto da tarde conversando, rindo e brincando o tempo todo. Fui motivo de piadas e brincadeiras a respeito do que eu fiz. Mas nada parecia me afetar. Se eles fizessem brincadeiras como as que estavam fazendo comigo em outros tempos, eu não teria gostado e provavelmente teria revidado. Mas naquela tarde não.
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Eu estava num alto astral tão grande. Sentia-me tão bem para comigo mesmo, que eu não dava a mínima para o que diziam. Eu não ligava mais para o que as pessoas pudessem pensar de mim. Em certo momento, pareceu-me não ouvir mais ninguém à minha volta. Com os olhos distantes e fixados na direção do mar, eu estava me sentindo com uma estranha energia. Foi algo tão forte que é difícil explicar. Aconteceu de uma maneira como nunca senti em toda a minha vida. Lembrando de tudo que aconteceu e pensando bem, aquele pobre homem, triste e sofrido, que quando o vi pela primeira vez carregava no rosto uma expressão imensa de dor e tristeza, me apresentou a alguém que sempre esteve dentro de mim, mas eu sempre fiz de tudo para evitar o contato com ele. Ao dizer aquele simples obrigado depois que o ajudei, colocando sua mão em meu ombro, com aquele sorriso doce e meigo em seus lábios e compartilhando comigo aquelas lágrimas sentidas, ele me apresentou a mim mesmo. Ao meu verdadeiro Eu. Um Eu que eu nunca soube existir. Alguém diferente do que sempre fui, apenas para agradar as outras pessoas, e ser aceito normalmente pela dita sociedade. O Eu que não tem medo do que elas possam falar ou pensar dele. Uma pessoa autentica que faz o que faz, por achar que é a coisa certa a ser feita.
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Não porque os outros e o sistema criado pelos próprios homens determinam que seja feito assim, ou assado. Este novo Eu estava me fazendo feliz. Olhando o mar, com suas ondas mansas naquela tarde, um sorriso brotou em meus lábios, eu sorri para mim mesmo. Uma sensação de plenitude tomou conta de meu ser. Descobri que havia me transformado em um alguém muito melhor do que era há poucas horas atrás. Sentia do fundo de minha alma, que sentado no banquinho daquele quiosque da Praia Grande, estava um ser humano diferente. Que aprendeu que depois de amar, o mais lindo verbo que se pode conjugar, é o verbo ajudar. Que tudo que estava acontecendo comigo, só foi possível porque aquele pobre homem humilde e sofrido, com apenas uma palavra de agradecimento e um sorriso, me apresentou a uma pessoa muito especial. Ele me colocou em contato com alguém que sempre esteve dentro de mim, mas do qual eu nem sabia da existência, pois estava cego pelos padrões de comportamentos criados e ditados pela tal sociedade dos homens. Este que antes eu não conhecia, era o meu verdadeiro Eu. Que até então, nada mais era do que um estranho dentro de mim.
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A bondade existe no coração do ser humano por essência e ela nasce junto conosco quando chegamos a este plano astral. Contudo, desde pequenos, somos instruídos pelo sistema ditador da sociedade, que somos obrigados a aprender e seguir cegamente as regras e padrões existentes, apenas para sermos aceitos como pessoas normais.
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Uma sociedade que em poucas palavras, cria as leis dos homens, mas não segue como deveria as verdadeiras e únicas Leis. As Leis de Deus. O nosso Eu interior é uma centelha divina. Carrega em si todo o poder do amor. Há dentro de cada um de nós um estranho, dando sinais o tempo todo de que esta lá. De que precisa ser conhecido e libertado para poder se manifestar e agir em nome daquilo para o qual fomos criados. Somos parte viva e pulsante do amor deixado neste mundo quando Deus nos criou. Alguns de nós descobrem esta verdade ainda em tempo, mas outros, quando já é tarde demais. Precisamos conhecer e acreditar pelo nosso bem e pelo bem das futuras gerações, na existência do nosso verdadeiro Eu, o estranho dentro de nós.
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Autor: José Araújo

10 comentários:

Alvaro Garcia disse...

Meu caro José, você sabe o quanto aprecio ler os seus contos e quanto eu admiro você como pessoa, como amigo e como profissional das letras e da administração. Acredito que não seria preciso falar mais, porque sei que me conhece, assim como a todos os seus leitores que o acompanham desde o inicio de suas publicações.
Se lhe disse tudo isto, foi porque eu quero que leia atentamente o que vou dizer a respeito deste conto, que na minha opinião é um dos melhores que publicou até hoje.
Fui literalmente induzido a continuar a ler a trama desde o inicio e a cada sentença, eu sentia que havia algo muito parecido com fatos que aconteceram em minha vida.
Eu, Alvaro Garcia, há muito tempo atrás descobri "Um estranho dentro de mim" e de lá para cá minha vida mudou para melhor.
Hoje eu sou eu mesmo, externando sempre meu Eu interior e posso afirmar que nunca fui tão feliz em minha vida.
A sensação de leveza e liberdade quando se liberta o nosso verdadeiro Eu de todos os grilhões da sociedade, é algo indescritivel!
Mais uma vez eu faço reverencias a você José, pois como sempre, você escreve algo em todos os seus contos, que de alguma forma toca o coração de quem lê, como o meu neste momento.
Isto porque você escreve sobre a vida, sobre a fé, sobre o amor e sei que muitas vezes sobre você mesmo.
Como em essencia somos todos iguais, você acaba falando de cada um de nós tambem.
Muitas vezes era como se você me conhecesse a fundo, como se conhecesse meus assuntos particulares e estivesse falando sobre a minha própria vida, tal como neste conto espetacular.
Um abraço do amigo, fã e leitor assíduo,

Fábio Luiz disse...

Lindo! Absolutamente lindo e emocionante!
Quantas vezes nos surgem oportunidades para ajudar e não o fazemos? Incontáveis com certeza!
Se permitissemos que o nosso Eu interior se manifestasse, certamente este mundo seria muito melhor para todos nós!
Você tem razão ao dizer o nosso Eu interior é uma centelha divina e que a sociedade se encarrega de fazer com que as pessoas esqueçam da existencia dele forçadas pela regras impostas por ela!
Adorei este texto que como sempre,
é muito mais do que reflexivo!
Abração!

Regina Célia Diniz disse...

Geralmente tiramos conclusões precipitdas a respeito de nossos semelhantes. Julgamos errôneamente as pessoas nos deixando levar pela aparenciaa, pelo preconceito e pela discriminação!
É preciso que aconteçam situações como a da trama de seu conto, para que a gente creia que na verdade, não somos quem pensamos ser.
Pois nosso Eu interior é o que realmente somos.
Pena que somos acondionados a negar sua existencia e ignorar suas manifestações e seus pedidos que atenção para o fato de que ele vive dentro de nós.
Perfeita colocação nesta historia criada por um escritor sensivel e que demonstra tanto amor pelo seu semelhante.
Parabéns pela sensibilidade e pela capacidade de enxergar muito além do que as pessoas comuns.

Beijos!

Nara disse...

Meu ídolo e escritor preferido, como é grande sua sensibilidade ao descrever a sociedade hipócrita em que vivemos, onde o que vale mais é o "ter" e não o "ser". Somos levados pelo sistema e esquecemos do que realmente importa: o amor e a solidariedade entre os seres humanos. Cada palavra desse conto nos toca profundamente, levando-nos a analisar nossas próprias atitudes perante o outro. Mais uma vez, José, te parabenizo por expressar em palavras aquilo que grita dentro de cada um de nós. Que Deus continue lhe dando muita luz para agraciar a nós, seus leitores, com coisas maravilhosas como "O Estranho dentro de nós..."
Beijos.

mdb disse...

Como é bom sentirmos esse sentimento dentro de nós. É um alimento para nossa alma.
Aquele senhor, coletor de coisas no lixo daquela praia. não estava ali por acaso. Ele apareceu para mostrar que qualquer um de nós, pode nos tornar como ele. Sendo abandonado pela sociedade egoísta em que vivemos e nos recriminam, quando temos a coragem de ir para o outro lado e sentir em nossa pele como é humilhante, para um filho de Deus ter aquela vida tão sofrida e miserável.
Nós temos a obrigação cristã de amar o próximo como a nós mesmo.
Mas é raríssimo vermos tal ato. Tanto que na calçada, todos estavam atravessando para o outro lado, para não passar por aquele ser humano tão maltrapilho que, representava mal estar nos demais.
Mas um foi tocado e desistiu de seguir os amigos, quando o pobre homem levou o tombo e seu carrinho virou. Que bom que teve pelo menos um deles, que sentiu a necessidade de amparar aquele velho cansado e sofrido.Que ato de caridade e principalmente de amor, que ele próprio desconhecia que possuía dentro de si. Em vez de ficar com vergonha perante os amigos sentiu-se agradecido a Deus, por ter descoberto que dentro dele havia uma criatura extraordinária e de coração limpo para amar o próximo. Tanto que seu gesto, o fez sentir-se feliz e não perdeu nada de sua essência , muito pelo contrário, aquele homem sofrido mostrou a ele quem ele era verdadeiramente e em vez de sentir-se envergonhado sentiu a paz que só pode vir de Deus.
Deus sempre nos mostra como devemos agir, nós é que fazemos de acomodados e não damos crédito aos sinais de Deus.Ele teve que aparecer como mendigo, diante de tantos para ver quem seria tocado pelo coração e ajudar aquele senhor de feições tão rústica que
foi modificando, a medida que era ajudado com carinho que brotou lágrimas de gratidão e felicidade nos dois de tanta emoção.
O senhor seguiu seu caminho virando na próxima esquina. Mas o rapaz alegre e feliz resolveu ir ao seu alcance para saber onde morava ou coisa parecida e o mais estranho que o velhinho desaparecera. Por que será que ele sumiu tão de repente?
Eu sei porque ele não era um mendigo qualquer ele era o próprio Deus.
Isso acontece muito na vida do ser humano, mas poucos conseguem amolecer o coração de pedra, para estender a mão a quem precisa e esse gesto não diminui ninguém e sim alegra a si próprio e principalmente ao nosso Deus.
Jose obrigada pelo conto, que tanto tocou minha alma. Eu agradeço a Deus por já ter descoberto em mim, outra pessoa que mora comigo, que é o amor ao irmão , ao próximo, pois quando morrermos seremos todos iguais perante Deus.
Beijos meu amado amigo do coração.
Sua amiga eterna.
Marilene Dias

Nadja disse...

Amigo querido, como é dificil nos aceitarmos como somos, que conflito muitas vezes se forma nos tornando pequenos diante de um sistema frio e insensível !
Muitas foram as vezes que me vi imaginando o que se passava dentro de cada pessoa que cruzava meu caminho, o que estaria ela pensando ou sentindo? Aquelas mais humildes, moradores de rua às vezes, o que as levou estar naquela situação? E hoje, lendo o seu conto, a minha interrogação é outra, o que poderia eu fazer em prol de alguem que espera um simples sorriso, um obrigado ou mesmo um olhar carinhoso que fizesse com ele ainda lembrasse que é gente, como eu, como você? Por ter sido mais sacrificado pela vida, jamais, diante de Deus, é menos importante que nós.
Magnifico maninho, vc toca a minha alma, a minha vida, as minhas interrogações e muitas vezes vejo em seus contos resposta à perguntas que jamais questionei, será meu eu querendo se libertar?
Beijos com amor.

Theo Kardos - contratenor disse...

Oi José, td bem?
Aqui sou eu, Theo, que te aposentei hoje...lembra? Hehehe!
Olha, li e ADOREI o conto "O estranho dentro de nós"! Que lindo!! Refleti muito sobre o assunto e percebi que já agi dessa maneira muitas vezes, mudando de calçada e tal...me senti um estranho realmente... agora sou outra pessoa!!! Graças a vc!
Parabéns pelo blog, pelos contos...vou ler os outros com mais calma e vou comentando. Espero poder ler logo um livro seu.
Um abraço e desfrute da aposentadoria...
Theo

Felipe Maurer disse...

Grande José Araújo!
Mais um conto fascinante criado por você e como sempre mexeu comigo profundamente!
Como seria bom se todos descobrissem que grande verdade a na frase que você escreveu durante esta estoria tão linda e emocionante!
"Depois do verbo amar, o mais lindo verbo que se pode conjugar, é o verbo ajudar."
Você sempre se supera em cada publicação e sei que ainda vou ter surpresas maravilhosas vidas de você no futuro!
Parabéns como sempre e obrigado Por compartilhar conosco suas obras tão especiais!

Abraços cordiais!

Eduardo Santos disse...

Meu querido José, cá estou de novo com lágrimas de emoção em meus olhos!
Cara! O que você tem que os outros escritores não tem eu não sei, mas sei que amo muito você e tudo que você faz!
Sempre senti que havia algo ou alguem diferente dentro de mim, mas só lendo seu conto eu pude compreeder que era o meu verdadeiro eu!
Amo você cara! Demais!
Beijos meu querido!
Adoro você!

isaulina disse...

José Araujo mais uma vez eu me emociono com o seu conto e não tem como não emocionar, porque os seus contos são a mais pura verdade do que se passa com a sociedade,
Eu me sinto muito triste quando eu vejo uma passoa mau trapilha, o meu semblante se abate meu amigo eu sou muito fraca para ver estas coisas porque eu sofro,
Não posso ver um mendingo que eu ja fico triste eu fico só pensando que ele esta com fome, que ele esta com dor, que ele precisa de um banho, e eu sofro meu amigo, principalmente quando eu vejo as pessoas ignorar eles só porque eles estão sujos
Eu acho que se todas as pessoas
tivessem um pouco de amor pelo proximo o mundo seria melhor
Eu fico indiguinada com aquelas pessoas que dizem que aquele pobre coitado esta ali na rua porque esta pagando o que ele fez, não é bem assim porque na rua tem tanta gente boa, as vezes caiu na rua por uma perda de memoria, por abandono da familia, e realmente tem todo tipo de pessoas na rua, por falta de atenção até dos proprios familiares que desfazem deles.
Portanto não devemos julgar as pessoas pelo que elas são porque muitas das vezes são pessoas maravilhosas!!
Não importa se eles estão sujos, se estão sujos e na rua é porque lhe falta oportunidade, estão eu acho que o ser humano é muito egoista pensando em si proprio e nos seus, as pessoas geralmente não se importa com o proximo, os seres humanos deveriam se importar com o proximo, eu não digo para a pessoa pegar o mendingo ou o morador de rua e por dentro da sua casa, mas ter amor olhar ele com amor!! Pegar uma roupa de casa e dar para ele, ver o que eles precisam, tornando a vida deles mais leve, eu não digo dando conforto porque quem mora na rua não tem nem um pingo de conforto mesmo que eles tenham tudo
Um pode dar coberto, outros podem dar comida, porque afinal de contas eles são humanos e tem também sentimentos, me desculpa mais uma vez meu amigo mais eu choro ao ler este conto, porque sei que la em São Paulo tem muitas pessoas na rua meu amigo e isso é muito triste para mim porque eu sofro com esta situação, e eles não estão na rua porque eles querem, eu tenho certeza absoluta disso.
Eu não consigo entender como que as pessoas conseguem chegar em casa na sua cama quentinha, na sua mesa que tem de tudo e comer em paz sem pensar naquele pobre coitado que ele viu la atras.
Pois a atitude daquele rapaz que foi ajudar aquele pobre homem é muito linda aatitude dele e todos deveriam deixar o orgulho de lado e começar a agir porque não sabemos o dia de amanhã portanto o que prantamos colhemos, se plantamos feijão vamos colher feijão. ninguém planta feijão e colhe milho rsrs
assim também envolve a nossa vida devemos ser amorosos com o nosso semelhante, se demos amor recebemos amor, mas se ignoramos, também vamos ser ignorados
José Araujo amo você
Não existe outro escritor igual a você e nunca vai existir! você é único você é demais você consegue publicar de uma maneira tão especial, tão verdadeiro que é impossivel não seemocionar eu te amo José Araujo, te amo de todo meu coração ♥ Você é uma das pessoas que jamais eu esquecerei enquanto eu estiver vida, Você não sai da minha mente, você não sai do meu coração ♥ te amo um abraço e um beijo carinhoso