Páginas

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A LINGUAGEM UNIVERSAL...



Naquele dia Walter iria completar seus sessenta anos. Uma vida inteira de muitas recordações, algumas boas, outras ruins, mas ele se considerava um homem que teve uma vida feliz. Sentado em sua poltrona predileta, ele estava assistindo a um filme de comédia que o fez lembrar de coisas que aconteceram em sua vida, há muito tempo atrás. Foram acontecimentos marcantes na vida dele e de seu irmão mais velho que por pouco não destruíram o grande amor e amizade que sempre os uniu. Mesmo sendo mais jovem que seu irmão, desde muito pequeno Walter sentia-se a pessoa responsável por cuidar dele, sendo que mesmo quando ele tinha dezoito e Lucas seu irmão vinte e um, ele ainda cuidava dele porque havia aprendido que deveria ser sempre assim. Desde muito cedo seus pais o encorajaram a cuidar de Lucas porque mais cedo ou mais tarde, eles não mais estariam por perto. Foi assim que ele assumiu o papel de irmão mais velho. Ele cuidava, alimentava, educava e se preocupava com o bem estar de Lucas como o mais velho, não o irmão mais novo. As pessoas às vezes achavam que Lucas tinha alguma deficiência física ou mental, mas não era nada disto. Ele era bem mais baixo e mais magro e sua saúde requeria cuidados especiais. Não podia pegar um vento mais forte que ficava gripado e com febre. Se ficasse muito tempo exposto ao sol, seu corpo em pouco tempo ficava cheio de pequenas feridas que coçavam muito e o faziam sofrer um incomodo terrível. Toda a sua alimentação tinha que ser especial. Ele precisava de vitaminas, sais minerais e outros nutrientes em maior quantidade do que necessita uma pessoa normal. Sua vida era praticamente restringida ao interior de sua casa e raramente ele saia para a rua, ou para passear. Todos tinham receio de que ele pegasse alguma virose no ar e caísse de cama outra vez. Mesmo Walter que convivia com ele desde que nasceu, não tinha certeza se ele nasceu, ou se foi criado de alguma outra forma. Sua mãe sempre o tratou como um vaso de cristal sueco, fino e delicado ou um vaso raro de cerâmica da dinastia Ming.

Talvez esta fosse a razão por ele ter a personalidade que tinha. Era sempre arredio, tinha crises de choro aparentemente sem motivos. Quando era ainda bem novo, se jogava no chão e esperneava quando queria alguma coisa, e isto, sem necessidade, porque nunca lhe negaram nada desde que nasceu. Pode ser até que a sua maneira difícil de ser e a necessidade de chamar a atenção de todos para si, tenha sido por causa dos problemas que sua mãe teve em sua gestação e também no parto. Ela sempre fez questão de dizer que ele só estava vivo por um milagre. Que seu cordão umbilical havia se enrolado em seu pescoço e que ele só não morreu por que o médico que a atendeu foi rápido no diagnostico e fez uma cesariana emergencial. Contudo, mesmo tendo passado por maus bocados na barriga de sua mãe e na hora do parto, Lucas veio ao mundo para assumir seu papel neste plano, mas ele era tão frágil e pequeno, que não foi difícil adivinhar só de olhar para ele que não seria muito forte e que precisaria de muitos cuidados especiais. Depois do parto dele, sua mãe se tornou muito católica. Ela fazia todos os tipos de promessas a todos os santos que conhecia, que não conhecia e principalmente para Deus. Tudo que ela pedia era que Lucas sobrevivesse e pudesse levar uma vida normal. O que aconteceu com ele, foi bem diferente do que aconteceu com Walter quando nasceu. Três anos depois Walter chegou a este mundo. Ele era um bebê enorme. Pesava quase quatro quilos e tinha uma saúde de ferro. Seus tios costumavam brincar dizendo que ele praticamente saiu andando da maternidade quando sua mãe teve alta. E mais! Diziam que se deixassem, Walter seria capaz de comer até pedra com um mês de idade! Ao ver a maneira como ele se alimentava sempre querendo mais, já sabiam que seria como dizem por ai, mais um lima nova na família. A mãe deles viu na constituição forte de saudável de Walter, um verdadeiro sinal de Deus e que ele tinha sido enviado especialmente como um guardião e protetor de seu irmão mais velho. Não era estranho para ninguém ouvir Walter lembrar a Lucas de amarrar os cadarços de seus tênis, ou de abotoar a camisa. Quando chegava a hora das refeições, enquanto ele não comia tudo que havia em seu prato, Walter não parava de lhe dizer que precisava comer bastante para crescer e ficar forte como ele. Quando saiam para passear com seus pais, o que era raro acontecer e passavam em alguma lanchonete, era Walter que cuidava de tudo para que seu irmão não se sujasse e se comportasse como gente. Quem não conhecia os dois desde pequenos, jamais imaginaria que a questão de idade entre os dois, fosse ao inverso do que parecia.

Olhando para eles quando estavam juntos, a diferença era gritante. Walter era bem mais alto e muito mais forte. Seu físico era bem desenvolvido e desde cedo mostrava que iria ser um homem de porte atlético. Lucas por outro lado, era muito magro, muito menor em estatura e sua aparencia era de uma pessoa doente. Walter tinha liberdade de sair para brincar quando quisesse, podia jogar bola debaixo de sol ou de chuva. Raramente pegava um resfriado e aproveitava a saúde que tinha para curtir sua infância o melhor que podia. Enquanto ele o fazia, Lucas ficava preso dentro de casa vendo Tv ou jogando vídeo game, mas tudo que ele mais queria, era poder ir brincar com as outras crianças. Conforme foram crescendo, apesar de ser menor do que todos os amigos da turma de Walter, Lucas se enturmava facilmente com todos que vinham jogar vídeo game com ele e não era raro que os meninos do grupo o ajudassem em suas tarefas escolares. Por anos a fio Walter cuidou de Lucas como se cuidasse dele mesmo. Mas o tempo passou, eles cresceram mais e chegou uma época em que cuidar do irmão estava sendo cansativo para Walter. Ele começou a prestar mais atenção nas regalias que o irmão tinha e ele não. A desmotivação foi tomando conta de sua mente e para piorar o quadro, quando chegava em casa, sempre havia doces deliciosos em uma bandeja, mas só de olhar, ele sabia que não poderia comer nenhum. Aquelas coisas deliciosas, de dar água na boca, eram para seu irmão, não para ele. A mãe deles sempre comprava de tudo para Lucas, mas para Valter não. Se ele quisesse comer algo diferente, só mesmo se sobrasse depois que o irmão comesse e não quisesse mais. Ela sempre dizia a ele que seu irmãozinho precisava de tudo aquilo, muito mais do que ele, porque ele precisava ficar bem de saúde. Muitas vezes ele olhava para os deliciosos chocolates em cima da mesa, os morangos que havia na geladeira e até mesmo os pudins de leite que ele tanto gostava e sentia uma vontade louca de comer só um pedacinho. Mas mesmo sentindo muita vontade de comer, fosse o que fosse, ele não comia porque foi ensinado desde pequeno, que seu irmão precisava mais do que ele. Às vezes quando a tentação e vontade de comer alguma coisa era mais forte do que ele e tentava estender a mão para pegar e comer, ele apanhava de sua mãe para aprender a não fazer mais isto.

Ela dizia sempre a mesma coisa. Que aquilo era para Lucas e que ele não precisava daquilo, de jeito nenhum. Foi assim que apesar de amar demais seu irmãozinho, ele começou a nutrir por ele um grande ressentimento. Certa vez, quando eles já estavam na escola e não eram tão pequeninos, houve um grande concurso de pinturas na escola de Walter. O primeiro prêmio se fosse ganho, daria para que ele comprasse a câmera digital de seus sonhos e ainda sobraria algum dinheiro para gastar com outras coisas. Foi então que ele decidiu que aquele prêmio iria parar em seu bolso de qualquer maneira. Quando ele saiu da escola, foi correndo para casa e ao chegar sem seu quarto ele tirou do fundo da ultima gaveta da cômoda um cofrinho onde ele guardava todas as suas economias. De posse do dinheiro que ele tinha, Walter foi à loja que vendia pincéis, tintas e telas e comprou tudo que precisava para pintar um quadro e poder se inscrever no concurso. Já de volta ao seu quarto, ele começou a fazer esboços do que iria desenhar, mas por mais que se esforçasse, ele não conseguia produzir nada além do normal para uma pessoa sem talento para tal. Depois de muito tempo tentando, desanimado ele finalmente desistiu. Aquela seria a grande chance de realizar o seu sonho, mas ao que tudo indicava, ele continuaria a ser apenas um sonho, nada mais. Após haver abandonado todo o material que havia comprado em seu quarto, ele foi para a sala e sentou-se na frente da televisão. Naquele momento estava passando um filme de comédia, mas ele parecia não estar vendo nada. Seus pensamentos estavam naquela câmera digital de 10 Mega Pixels que ele tanto queria. Em dado momento sem querer, ele olhou para a parede que estava à sua direita e nela havia uma pintura feita por Lucas seu irmão. Um trabalho escolar que ele havia feito ha tempos atrás e que foi colocado lá por sua mãe. Com os olhos fixados no quadro, ele não podia acreditar no que estava vendo. Nunca antes ele tomou o menor conhecimento daquele trabalho feito por seu irmão, mas agora, o que ele via era algo indescritível. Lucas certamente era quem deveria se inscrever no concurso, mas ele não podia. Ele estudava em uma outra escola e não alunos, na escola de Walter, eram proibidos de participar. De repente, uma idéia lhe veio à mente.

Ele poderia se inscrever e faria um acordo com Lucas para que ele pintasse o quadro e se a obra fosse a ganhadora do 1º lugar, eles repartiriam o prêmio. Assim pensando, ele foi até o quarto de seu irmão e lhe fez a proposta. Se ganhassem o primeiro prêmio, ele daria ao seu irmão 20% e ficaria com os outros 80%, que ainda assim seria o suficiente para comprar a sua tão desejada câmera digital. Mesmo sendo pequeno e frágil, além da sensibilidade aguçada e os dotes artísticos, Lucas era muito bom aluno em matemática e sua resposta imediata foi que ou seria meio a meio, ou então ele não faria nada. Ansioso por colocar suas mãos naquele dinheiro, Walter pensou bastante e sabendo que fazendo a divisão meio a meio, com um pouco de economia ele ainda conseguiria comprar o que queria, acabou por concordar. E assim foi. Os dois fizeram o acordo e Lucas se dedicou ao trabalho que tinha que fazer. Em três dias o quadro estava pronto e ao vê-lo, Walter tinha certeza de que o premio já estava no papo. No dia da decisão onde iriam ser apresentados todos os trabalhos feitos pelos alunos que se inscreveram, Lucas disse que não poderia ir assistir ao evento, pois tinha sido contaminado por uma virose e estava com febre. O grande e largo corredor da escola se transformou naquela tarde, numa galeria de arte. Havia dezenas de trabalhos e entre eles, alguns eram muito bem feitos, cada um mais lindo que o outro, mas ao vê-los Walter já sabia do resultado. Seu irmão era um artista nato e ninguém em sua escola poderia concorrer com ele naquela categoria. Certo de embolsar o prêmio e pensando no que poderia fazer com ele, uma outra idéia foi surgindo em sua mente. Se ele mentisse para Lucas, dizendo que não ganharam nem sequer uma colocação no concurso, poderia ficar com tudo para ele e ninguém iria saber de nada em sua casa. Além do mais, a escola onde Walter estudava ficava do outro lado da cidade e ele era o único de seu bairro que estudava lá. Melhor que isto era impossível e assim, quando anunciaram seu nome como o grande ganhador, exatamente como ele sabia que iria acontecer, ele recebeu a faixa do 1º lugar e o dinheiro que colocou em seu bolso, como ele planejou. Quando acabou a solenidade de entrega dos prêmios, ele saiu de lá e foi direto para a loja de produtos importados.

Sem nenhum sentimento de culpa, ele finalmente havia conseguido a sua tão almejada câmera de 10 Mega Pixels. No caminho de casa ele decidiu pedir a um amigo para guarda-la em sua casa, porque afinal, como ele poderia explicar ter comprado um objeto tão caro, sem recursos para isto. Sem sentir o menor remorso pelo que havia feito, pensando em tudo que seu irmão tinha e ele não, finalmente ele voltou para casa e quando Walter entrou, a primeira coisa que Lucas perguntou foi se haviam ganhado o concurso. A resposta, tal como ele planejou foi convincente. Ele disse ao irmão que não tinham ganhado o prêmio e que o aluno que o faturou tinha muito mais talento do que ele. Lucas ficou triste, mas pareceu compreender. Walter sem pensar no que estava fazendo, foi capaz de justificar para si mesmo, ter literalmente roubado de seu irmão e isto, bem embaixo de seu nariz. Contudo, muito tempo depois, um dia ele chegou em casa e seu irmão estava sentado numa das poltronas da sala lendo uma revista em quadrinhos. Ao vê-lo entrar, de seus olhos uma lágrima rolou. Percebendo aquilo, Walter perguntou a seu irmão o que estava acontecendo e ele disse que não era nada. Que foi apenas um cisco que entrou em seus olhos e mesmo achando estranha a resposta, Walter foi para o seu quarto e não tocou mais no assunto. Deitado em sua cama, ele relembrava de todas aquelas coisas gostosas que ele via seu irmão comer e não pode nem sequer experimentar porque sua mãe dizia que ele não precisava daquilo. Apesar de já ser grande e compreender a situação difícil pela qual seu irmão passou desde que nasceu, uma mágoa profunda parecia rasgar seu coração. Ele amava Lucas, mas por tudo que ele recebia de seus pais e ele não, o que ele havia feito parecia ter sido merecido. Ele pensava. O tempo passou e quando Lucas ficou mais velho, ele cresceu e ganhou um bom porte físico, já não era o fracote de antigamente, mas Walter ainda era maior e mais forte. Continuou como sempre a parecer mais velho que ele. Ao vê-lo tão forte e com saúde, ele ficava imaginando, que todas aquelas guloseimas que ele comia sozinho, finalmente tinham produzido um bom resultado.

Um dia, os dois estavam no quarto rindo e conversando, quando ao abrir a porta do maleiro do guarda roupa a câmera que estava abandonada lá há muito tempo por estar quebrada, caiu no chão. Lucas ao ver o objeto parou de sorrir e olhando direto nos olhos de Walter fez a pergunta que ele nunca quis ter que fazer novamente. Serio como nunca, Lucas perguntou a ele se realmente eles não haviam ganhado aquele concurso ha tanto tempo atrás. Envergonhado em sentindo uma onda de calor queimar o seu rosto, ele disse ao irmão que para ser muito sincero, ele tinham ganhado somente o 3º lugar e que havia recebido apenas uma menção honrosa sobre o trabalho. Verdade? Lucas perguntou. Walter sem jeito ainda persistiu na mentira dizendo que sim. Lucas foi até a sua gaveta e retirou dela uma velha fotografia e mostrou ao irmão. Quando Walter a viu ele não acreditou e empalideceu. Era ele mesmo na foto, em cima do palco do teatro da escola enquanto recebia a faixa de 1º premio e com o dinheiro em suas mãos. Olhando fixo para seu irmão, Lucas lhe disse que aquela foto ele mesmo tinha tirado. Que ele foi escondido à exposição da escola, porque queria tirar umas boas fotos e guardar de recordação de quando ele tinha ajudado seu irmão a realizar um grande sonho. Sem acreditar ainda no que estava acontecendo, com a voz embargada, Walter perguntou ao irmão o porque dele nunca haver lhe dito nada desde aquela época, há tanto tempo atrás. Lucas olhando para sua mala quase feita colocada num canto do quarto e depois para os olhos de seu irmão respondeu com outra pergunta. Ele perguntou se ele nunca havia pesando em como ele se sentia por ser privilegiado em tudo com relação a ele desde criança. Disse que Walter não imaginava o que havia sido para ele conviver todos aqueles anos com aquela sensação de culpa. Que por toda a sua vida, ele havia se sentido mal por ver o irmão que cuidava dele com tanto cuidado e carinho, ter negado o pedido de um pequeno pedaço de tudo que compravam só para ele. O que mais o machucava, era perceber que ele engolia a seco tamanha era a vontade que sentia.

Disse que aquilo sempre o fez sofrer por pensar no que ele estaria sentindo e também, que seu coração apertava e doía muito quando a mãe deles brigava com Walter por causa das coisas que ele reclamava sobre a predileção dela por ele. Com uma expressão de profunda tristeza, ele disse a Walter que mesmo depois de ter crescido e ter ficado mais velho, com saúde e totalmente recuperado de todos os problemas que tinha quando criança, ele ainda se sentia mal quando Walter o defendia dos perigos da vida, das intempéries do tempo, como se ele é que fosse o mais velho, quando na verdade era dele este papel. Walter não sabia o que responder. Em frente aos seus olhos ele parecia estar vendo um filme com todas as cenas vividas pelos dois, desde que nasceu. Do fundo de sua alma, ele estava sentindo um remorso imenso pelo que ele tinha feito ao seu próprio irmão, ainda mais depois de tudo aquilo que estava ouvindo dele. Lucas completou, dizendo que ele sempre quis viver a vida de Walter. Que ele teria dado qualquer coisa que lhe pedissem para poder fazer as mesmas coisas que ele fazia. Para ter a liberdade que ele tinha em sair para brincar quando e como ele quisesse. Que somente por uma vez, ele queria ter sido o irmão mais velho. Não para poder controlar a vida de Walter, mas para poder protege-lo como ele fez com ele desde que começou a andar. Ele disse também, que tinha inveja de Walter que sempre foi forte e saudável enquanto ele, sempre foi considerado um garoto frágil e indefeso. Uma pessoa dependente dos cuidados de todo mundo para poder sobreviver. As palavras de Lucas cortavam o coração de Walter que a estas alturas já havia perdido a vergonha de chorar e deixou que as lágrimas fluíssem livremente de seus olhos. Entre lágrimas e soluços, ele disse a Lucas, que de sua parte, ele sempre quis desesperadamente ser aquele que recebia todos os carinhos. Aquele que recebia as atenções de todo mundo. Que ele também teria feito qualquer coisa para ser ele, pelo menos uma vez. Os dois disseram um ao outro tudo que guardaram dentro de seus peitos por toda a vida e finalmente, um silêncio profundo caiu sobre eles.

Sentados, um em frente ao outro nas duas poltronas da sala de estar, eles se olharam silenciosamente por algum tempo. Em dado momento os dois se levantaram no mesmo instante. Lucas com lágrimas nos olhos, disse a Walter que aquilo tinha sido a coisa mais patética e engraçada que já tinha ouvido alguém contar. Afinal, o tempo todo, os dois sempre quiseram ter seus papeis trocados na vida, mas nunca tiveram coragem de confessar. A emoção havia tomado conta da sala onde eles estavam e sem dizer nem mais uma palavra, os dois se abraçaram chorando. Mais uma vez o silencio imperou entre os dois. Walter queria pedir perdão a Lucas pelo que havia feito e pelas coisas que havia pensado e falado sobre ele, mas ficou sem jeito de abrir de uma vez. Foi então que Lucas se afastou dele por um momento, apanhou a bola de futebol que estava em cima do sofá e sorrindo, ainda com lágrimas escorrendo pelo rosto, a atirou com força em Walter. Com os reflexos rápidos que sempre teve, ele a segurou e jogou de volta para o irmão. Nenhum dos dois deu por conta do que estava acontecendo naquele mágico momento, mas o amor puro e verdadeiro que os unia com uma força desconhecida para ambos, estava falando pelos dois de uma maneira muito especial. Os dois brincaram de jogar bola um no outro por um bom tempo, rindo e fazendo chacotas sobre seus times de futebol. Em certo momento, a bola ao ser jogada por um deles saiu pela janela e foi parar no quintal. Os amigos deles que iam passando pela calçada a pegaram e começaram a jogar. Walter e Lucas saíram de casa abraçados. Entre as piadinhas dos colegas, chamando os dois de pernas de páu, eles jogaram futebol com a turma pelo resto da tarde. Walter fez questão de jogar no time do irmão. Naquela tarde, os dois fizeram passes incríveis um para o outro e no final da pelada, o time deles ganhou a partida. Cansados, mas felizes, eles entraram em casa rindo e brincando para tomar um banho e depois jantar. De seus pensamentos e de seus corações, haviam sido apagadas todas as mágoas e rancores de antes. O amor venceu mais uma vez agindo de uma forma estranha como sempre o faz.

Daquele dia em diante, o relacionamento dos dois nunca mais foi o mesmo. Passaram a ser não só irmãos que se amavam, mas principalmente a ter um ao outro, como o melhor amigo. A maneira como eles se comunicavam nunca mais foi a mesma. Quando falavam um com o outro, usavam para se comunicar a única linguagem que é compreendida até mesmo pelos animais. Haviam aprendido a duras penas, que a única maneira de ser feliz é sendo sinceros em todos os aspectos da vida. Aprenderam que a mentira é um mal que corrói até mesmo os bons sentimentos e desde então, eles passaram a usar a linguagem do amor, a verdadeira e única, linguagem universal.

Autor: José Araújo

Arte digital: José Araújo

4 comentários:

Isaulina disse...

José Araujo:
Mais uma vez eu te parabenizo, porque é muito linda a historia de Lucas E walter, não sei como ele conseguiu enganar o seu irmão ja que ele tinha tanto cuidado e amor por ele,
mas eu achei muito lindo porque no final eles se entenderam e o amor falou mais alto, e isto mostra para nós que a mentira sempre é descoberta, por isso devemos sempre falar a verdade.
Você esta de parabéns meu querido amigo, tenho muito carinho por você beijo

Nara disse...

Nossa, que história mais linda, José! Quantas vezes os pais, por ignorância ou até mesmo por falta de tempo de parar e pensar sobre suas atitudes com os filhos, acabam privilegiando mais um do que o outro, gerando assim, inconscientemente, a revolta e a sensação de desamor em seus próprios filhos.
Mas ainda bem que Lucas e Walter tiveram maturidade para enfrentar o problema e, mais uma vez, o amor, linguagem universal, falou mais alto.
Parabéns, meu amigo!
Sua fã de sempre:
Nara.

mdb disse...

O amor sempre vence em tudo onde ele entra e faz morada.
Sempre entre dois irmãos, há uma certa dose de ciúme. Quando ainda são inocentes o ciúme ainda não aflora, mas ao decorrer do tempo vão crescendo e aí começa a nascer aquela dorzinha que vai corroendo o coração.
Walter tinha muyro amor por Lucas, ao vê-lo tão fraquinho e indefeso às doenças e até sofria pelo irmão.
Mas a mãe nunca teve un dom de lidar corretamente com a situação e esquecia que rinha dois filhos. Ela não tinha nem um pouquinho de psicologia para lidar com os filhos. e com isso sem saber magoava os dois prejudicando-os e muito no relacionamento. Tanto que Walter cansou de olhar pelo irmão e foi se distanciando.
Ele sofria com a dedicação da mãe para o Lucas quando fazia as guloseimas deliciosas que ambos gostavam, mas somente Lucas podia desfrutá-la. Que judiação! Será que não podia dobrar a receita? Que falta de sabedoria!
Com esse gesto da mãe foi crescendo no coração de Waiter aquela mágoa pelo irmão mais velho.
E assim foram crexcebdo. Até que um dia Walter percebeu o dom maravilhoso da pintura que Lucas possuía.
Para ele foi uma descoberta e tanto, para poder participar do concurso na escola, em que o prêmio seria em dinheiro. E tinha a certeza que ganharia pois sabia que Lucas era um gênio na pointura. Conversaram e afirmaram o acordo, meio a meio na divisão do prêmio. Mas Walter com essa fração não poderia realizar seu somho de consumo ,que era una câmera digital.
No dia do concurso a obra estava ponta e lucas não podi ir assistir pois estava com febre. Tudo a favor dos planos de Walter.
E o prêmio veio parar em suas mãos, ou melhor em seu bolso.
Naquele mesmo dia comprou o que tanto sonhara, mas não pode levar para casa , deixando na casa de um amigo.
Ao chegar o irmão perguntou como foi o concurso e se havia tirado em primeiro lugar. Walter continuou com a mentira e disse que tinha tirado simplesmente o terceiro lugar e Lucas ficou decepcionado com a notícia.
Passou algum tempo, Walter entrou em casa e viu Lucas lendo uma revista e viu uma lágrima rolar de seu olho e pergunto o que estava acontecendo e Lucas disse que era un cisco no olho.
Walter foi para o quarto e Lucas o acompanhou.
Chegando lá o manto da mentira caiu. Walter sem querer deixou a câmera cair, que já estava com defeito e descobriu uma foto que Lucas havia tirado no dia do concurso com Walter recebendo o prêmio.
A grandeza de Lucas arrasou com Walter, não houve brigas somente desabafo por parte de Lucas. Ele explicou ao irmão, como sentia mal com as atitudes da mãe em relação a ele, lhe dando sempre o melhor e Walter não ganhava nada. Aquilo lhe fazia muito mal dizia Lucas, era errado o irmão não ter direitos iguais a ele.
Foi sentindo assim que Lucas nunca pleiteou a divisão do prêmio, que mesmo doente ele fugiu para assistir a vitória do irmão e principalmente a sua própria vitória, pois o quadro fora pintado por ele.
Acabou o Walter caindo em prantos e o irmão sem mágoas abraçando e emocionados prometendo que nada mais daquilo aconteceria e Lucas era muito grato a ele por ter cuidado dele com carinho. A lembrança de Walter foi recordada por ele quando estava fazendo sessenta anos de idade.
O amor não destrói. ele une corações e dá sempre o perdão.

Jose, que lindo este conto! Que nos sirva de lição. Como é forte o amor. Com ele venceremos tudo.
Um grande abraço meu amigo especial e amado, da sua fã e amigaaaaaaa
Marilene Dias

veraparizmedeiros disse...

OI AMIGO.COMO SEMPRE,SÓ POSSO DIZER QUE AMEI,ADOREIII...A VERDADE ACABOU PREVALENDO E CLARO O AMOR FOI O PRINCIPAL MOTIVO.SOUBERAM LIDAR COM ISSO,ENTENDER A DIFERENÇA E SAÍRAM VENCEDORES COM O AMOR QUE TINHAM UM PELO OUTRO.
PARABÉNS....DIVINO AMIGO PERFEITO,ÉS MUITO ESPECIAL...DEUS TE ABENÇOA SEMPRE...BEIJOS....